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Terceirizada da BYD nega condições 'análogas à escravidão' na Bahia

Alojamento em que foram resgatados trabalhadores chineses da obra da BYD na Bahia Imagem: GEFM

Xangai, China

26/12/2024 09h53

O Jinjiang Group, uma empresa terceirizada contratada pela fabricante chinesa de veículos elétricos BYD, disse, nesta quinta-feira (26), que a descrição de autoridades brasileiras de que funcionários eram submetidos a "condições análogas à escravidão" é inconsistente com os fatos e que há mal-entendidos na tradução.

Na quarta-feira (24), equipe de auditores fiscais do Ministério do Trabalho afirmou ter encontrado 163 chineses trabalhando em "condições análogas à escravidão" em um canteiro de obras de uma fábrica de propriedade da BYD na Bahia. A BYD disse que cortou relações com a empresa que contratou os funcionários e que estava trabalhando com as autoridades.

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"Ser injustamente rotulado como 'escravizado' fez com que nossos funcionários sentissem que sua dignidade foi insultada e seus direitos humanos violados, ferindo seriamente a dignidade do povo chinês. Assinamos uma carta conjunta para expressar nossos verdadeiros sentimentos", afirmou o grupo na conta oficial no Weibo, uma rede social chinesa.

A declaração foi repostada por Li Yunfei, gerente geral de marca e relações públicas da BYD. Ele acusou "forças estrangeiras" e alguns veículos de mídia chineses de "deliberadamente difamar marcas chinesas e o país e minar o relacionamento entre a China e o Brasil".

Um representante da BYD direcionou a Reuters para a postagem de Li no Weibo quando perguntado sobre os comentários do Jinjiang e a situação. O grupo Jinjiang não respondeu a um pedido de comentário feito pela agência de notícias.

A BYD está construindo a fábrica com uma capacidade anual de produção de 150.000 carros inicialmente no Brasil, o maior mercado externo da gigante chinesa de veículos elétricos, como parte dos planos para iniciar a produção em 2024 ou no início de 2025. O Brasil vai aumentar as tarifas sobre os veículos elétricos importados de 18% para 35% em julho de 2026.

Na quarta-feira (24), a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, disse que a embaixada chinesa no Brasil estava se comunicando com as contrapartes brasileiras para verificar a situação.

A Jinjiang disse que houve problemas de tradução e diferenças culturais que levaram à situação, e que as perguntas dos auditores brasileiros foram "sugestivas". Ela também publicou um vídeo mostrando um grupo de trabalhadores chineses em frente à câmera, com um deles lendo uma carta que, segundo a empresa, os trabalhadores assinaram em conjunto.

A carta dizia, por exemplo, que 107 trabalhadores haviam entregado seus passaportes à empresa para obter ajuda na solicitação de um certificado de identidade temporário no Brasil. Os auditores brasileiros disseram que os trabalhadores tiveram os passaportes retidos pela empresa.

"Estamos muito felizes por vir a Camaçari para trabalhar", declarou um homem chinês não identificado no vídeo.

"Temos cumprido as leis e os regulamentos, trabalhando duro durante o período com a esperança de que a construção do maior projeto de veículos de energia nova no Brasil possa ser concluída o mais rápido possível", acrescentou.

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