Indulto a Fujimori pode definir impeachment de presidente do Peru
Mal havia começado a jornada no Congresso peruano, na manhã desta quinta-feira (21), e começou a circular a notícia de que uma junta médica penitenciária havia examinado o ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000) e recomendado um "indulto humanitário".
A avaliação havia sido feita em 17 de dezembro, depois que o presidente Pedro Pablo Kuczynski atendera a um pedido da família de que a avaliação fosse feita.
PPK, como é conhecido informalmente o mandatário, é alvo de uma moção de vacância por suposto recebimento de propina da Odebrecht. O Parlamento do Peru está reunido em sessão extraordinária desde a manhã de quinta para decidir o destino político de Kuczynski.
Já há alguns meses, sentindo-se de mãos atadas devido à pressão da bancada fujimorista, o presidente vem aventando oferecer o indulto ao ex-presidente, que está preso desde 2009, condenado por crimes de direitos humanos e corrupção cometidos durante seu governo.
O indulto a Fujimori é uma das principais causas defendidas pelo fujimorismo, ainda que não por toda a sua bancada. Seu filho, Kenji, é quem mais insiste no perdão ao pai e é quem vem conversando com PPK.
O presidente, por sua vez, procura fazer essa negociação de modo muito discreto, porque sabe que, no momento em que conceder o benefício, perderá o apoio do Apra (centro-esquerda) e da Frente Ampla (esquerda).
Curiosamente, porém, nem todos os fujimoristas lutam por essa bandeira. A filha de Fujimori, Keiko, que vem sendo muito criticada pelo pai desde que perdeu as eleições de 2016, deixou de defender o indulto.
O relatório da junta médica justifica o indulto dizendo que Fujimori padece de uma doença "terminal, degenerativa e incurável", embora não esclareça qual é, e que as "condições carcerárias significam um risco grave à sua vida, saúde e integridade".
A divulgação do boletim teve impacto nos corredores do Congresso, onde se comentava que, se esse indulto estiver realmente próximo, que isso poderia ajudar a definir o voto dos parlamentares de centro-esquerda e esquerda a favor da moção contra PPK.
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