Carreira militar

Estabilidade e salários que passam de R$ 22 mil no topo da carreira atraem jovens; saiba como entrar

Colaboração para o UOL, em São Paulo
Marcelo Justo/UOL
Sargento Paulo Rezende/Agência Força Aérea Sargento Paulo Rezende/Agência Força Aérea

Opção profissional

Tema de debate na reforma da Previdência, a carreira militar atrai jovens pela estabilidade profissional e bons pagamentos para quem crescer nela. Hoje um militar de carreira tem direito a um soldo básico, gratificações e um regime de aposentadoria especial quando se torna inativo.

O soldo básico (como é chamado o salário os militares), sem adicionais, para generais-de-Exército, almirantes-de-Esquadra e tenentes-brigadeiros é de pouco mais de R$ 13 mil. Com as gratificações, passa de R$ 22 mil. Se a reestruturação da carreira militar passar na reforma da Previdência, haverá ainda mais adicionais.

Para se tornar um militar de carreira, no entanto, não basta fazer o serviço militar obrigatório. É preciso prestar concurso público, passar por diferentes cursos, os mais variados testes e muitos anos de serviço.

As opções de carreira militar variam de acordo com a instituição escolhida (Aeronáutica, Exército ou Marinha) e a formação de cada um. Interessado? Saiba como fazer a seguir.

Marinha do Brasil/Divulgação Marinha do Brasil/Divulgação

Para quem tem ensino médio

Exército

  • Pré-requisitos: prestar concurso, altura mínima de 1,60 m para homens e 1,55 m para mulheres e ser brasileiro nato ou naturalizado. A idade varia conforme o curso

Todos os interessados a ingressar no Exército têm de prestar uma prova de conhecimentos gerais e fazer testes de saúde e físicos. A partir daí, as especificações mudam de acordo com a escola escolhida.

Para entrar para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), em Campinas (SP), por exemplo, é preciso ter nascido entre 1998 e 2003. É para homens e mulheres. Essa formação leva à Academia Militar das Agulhas Negras (Amam), caminho mais procurado para seguir a carreira dentro da corporação.

A Escola de Sargentos das Armas (EsSA), em Três Corações (MG), voltada aos que pretendem assumir a linha de frente em combates, tem flexibilidade maior na idade (1996 a 2003), mas só aceita candidatos homens.

As datas para ingresso também são diferentes. Algumas delas já foram fechadas neste ano. Todas as especificações e detalhes de cada escola estão no site do Exército Brasileiro.

Marinha

  • Pré-requisitos: prestar concurso, ter pelo menos 18 anos e "idoneidade moral e bons antecedentes de conduta"

Os concursos da Marinha incluem prova de conhecimentos gerais e testes físicos, de saúde e psicológicos. O resto das opções varia de acordo com a escola.

Das quatro opções de ingresso, só duas delas aceitam mulheres: a Escola Naval (EN), mais concorrida e antiga formação de carreira da Marinha, e o curso de Sargento Músico Fuzileiro Naval, voltado à música.

As escolas mais voltadas ao combate, o curso de Soldado Fuzileiro Naval e a Escola de Aprendizes Marinheiros (EAM), são restritas ao sexo masculino. As duas também permitem que o candidato seja casado ou tenha constituído família, enquanto a EN, não. Os detalhes de cada um estão disponíveis no portal da Marinha.

Cada curso tem seu tempo de duração. A EN, principal porta de entrada, dura quatro anos. Os editais para as provas de cada escola também ficam disponíveis no portal. No momento, não há nenhum aberto.

Aeronáutica

  • Pré-requisitos: prestar exame de admissão. Idades variam conforme o curso

Todos os exames de admissão têm testes de conhecimentos gerais, físicos, de saúde e psicológicos. Alguns cursos, no entanto, também pedem exames de aptidão. Para ingressar no Curso de Formação de Oficiais Aviadores da Aeronáutica (CFOAV), que forma pilotos, é preciso também prestar o Teste de Aptidão à Pilotagem Militar (TAPMIL).

De todas as escolas, só o Curso de Formação de Oficiais de Infantaria da Aeronáutica (CFOINF) é exclusivo para homens. Mais detalhes de cada um estão no site da Aeronáutica.

Força Aérea Brasileira/Divulgação Força Aérea Brasileira/Divulgação

Para quem tem ensino superior

Exército

  • Pré-requisitos: ser brasileiro nato, prestar concurso, altura mínima de 1,60 m para homens e 1,55 m para mulheres

O Exército oferece carreira militar para as áreas de saúde, teologia, engenharia e uma escola que abrange diversas formações.

Há diferentes idades de ingresso. Para entrar na Escola de Saúde do Exército (EsSEx), é preciso ter nascido a partir de 1984, enquanto para ingressar no Curso de Formação de Oficiais do Quadro de Engenheiros Militares (para quem fez faculdades civis), é preciso ter nascido a partir de 1994.

Todos são abertos para os dois gêneros, com exceção da carreira de capelão católico na Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx), exclusiva para homens. Os cursos estão previstos para junho e julho. Os detalhes estão no site da corporação.

Marinha

  • Pré-requisitos: ser brasileiro nato, prestar concurso e estar em dia com as obrigações do serviço militar e da Justiça Eleitoral

A Marinha oferece o maior número de cursos para profissionais com nível superior entre as Forças Armadas. Dos dez, apenas o Quadro Complementar da Armada e de Fuzileiros Navais (QC-CA-FN) é exclusivo para homens.

Os cursos são voltados para profissionais de saúde, engenharia e teologia, além do quadro técnico, que engloba as mais diferentes graduações, como arqueologia, música e letras.

Cada curso tem idades e durações diferentes. Os detalhes estão no portal da corporação.

Aeronáutica

  • Pré-requisitos: prestar concurso, ser brasileiro nato

Todos os cursos exigem idade máxima de 35 anos, com exceção do Estágio de Instrução e Adaptação de Capelães da Aeronáutica (EIAC), voltado aos teólogos, que exige candidatos entre 30 anos e 41 anos.

As oportunidades envolvem profissionais da área da saúde, engenharia, teologia e dois cursos em aberto, que dependem das especificações do edital. Não há restrição para gênero. Alguns editais já se encerraram. Os detalhes estão disponíveis no portal da instituição.

Quanto ganham os militares de carreira

O soldo dos oficiais é estabelecido pelo Ministério da Defesa e varia de acordo com a patente e a formação (os praças, de nível médio, têm um, e os oficiais, de nível superior, têm outro), mas os valores são padronizados entre as corporações.

Entre os praças, alunos da Escola Naval e da Escola Preparatória de Cadetes iniciam o curso com uma bolsa-auxílio de R$ 1.044. Os que optam pela Escola de Formação de Sargentos recebem R$ 1.066 por mês durante o curso.

Quando se formam, tornam-se aspirantes-a-oficial, com salário de R$ 6.993. Depois de um ano, chegam ao cargo de segundo-tenente, que hoje recebe R$ 7.490 por mês.

Os oficiais recebem durante seus cursos um auxílio de R$ 6.993 e, quando se formam, já atingem o cargo de primeiro-tenente, com remuneração de R$ 8.245.

Os cargos máximos dentro das Forças Armadas são os de almirante-de-Esquadra (Marinha), general-de-Exército e tenente-brigadeiro (Aeronáutica), com um salário de R$ 13.471 por mês.

Esses soldos para os já formados são valores básicos, mas na prática todos ganham mais por causa dos adicionais.

Os generais-de-Exército, almirantes-de-Esquadra e tenentes-brigadeiros, por exemplo, recebem ao todo R$ 22.631,28 (68% a mais que o soldo básico). Fazem parte dessa remuneração os adicionais de habilitação (para aqueles que concluem cursos de capacitação), de disponibilidade militar (recebido pelo trabalho sem jornada definida) e a gratificação de representação (para oficiais que chefiam unidades militares).

Um oficial subalterno nas três Forças, como primeiro-tenente, ganha soldo básico de R$ 8.245, mas o valor sobe para R$ 11 mil por mês com as gratificações (33% a mais).

Os pagamentos ficarão ainda maiores se a proposta de reestruturação da carreira militar proposta pelo governo Jair Bolsonaro (PSL) passar. O plano não aumenta os salários, mas cria penduricalhos e aumenta as gratificações, como o adicional de disponibilidade militar. Com isso, o pagamento dos generais pode passar de R$ 30 mil.

Arte/UOL

Como subir de patente

Representantes das Forças Armadas explicam que há duas formas de subir de patente e que, dado o número de militares e de cargos de alto escalão, não são todos que chegam ao topo.

O primeiro -e mais comum- modo é por tempo (ou "antiguidade", como os militares chamam). Se você cumprir os pré-requisitos necessários dentro da carreira, subirá de patente até certo ponto. Por exemplo, os praças que se formam na Amam são alçados ao cargo de aspirante-a-oficial. Depois de um ano, viram segundo-tenente e, com mais um ano, primeiro-tenente.

Esta é a ordem natural. Ela pode ser quebrada, no entanto, pela segunda forma de subir de patente: merecimento. Porta-vozes das instituições explicam que esta avaliação é mais importante do que a temporal. Os militares que mais estudam em suas áreas e mais se esforçam nas tarefas designadas têm potencial superior a subir na pirâmide.

Há, no entanto, também uma diferença entre os praças e os oficiais. Os profissionais que entraram pelas escolas de nível médio ou técnico só conseguem chegar aos patamares de vice-almirante (Marinha), general-de-Divisão (Exército) e major-brigadeiro (Aeronáutica). Só os oficiais ingressados com curso superior podem chegar às patentes máximas das Forças Armadas.

Arte/UOL

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