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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Comunicação pode ser porta de entrada de mulheres em cargos de liderança

Mathias Pape/UOL
Imagem: Mathias Pape/UOL
Adriana Recco

Adriana Recco é diretora de Comunicação da Huawei no Brasil. Ela tem mais de 25 anos de experiência em Comunicação Corporativa e já atuou em outras multinacionais de tecnologia.

24/08/2021 09h59

Esse não é mais um texto para chamar a atenção para o baixo número de mulheres em posições de liderança nas empresas.

Uma vez constatado esse fato, considero mais produtivo refletir sobre os fatores que podem contribuir para a superação do desafio de promover a equidade de gêneros, em todas as atividades da economia, e inspirar as mulheres a conquistar, afinal, o mesmo que os homens: sucesso na carreira e ascensão profissional. Para isso, vou usar como referência as áreas onde atuo: Tecnologia e Comunicação.

Trabalho no mercado de Comunicação Corporativa há mais de 25 anos. Hoje sou diretora de Comunicação da Huawei, multinacional do setor de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação). Já atuei também em outras grandes empresas do setor, onde vivenciei por diversas vezes situações onde eu era a única mulher presente em reuniões com a liderança dessas companhias.

De acordo com dois estudos que destaco a seguir, a Tecnologia e a Comunicação são áreas bem contrastantes em relação à presença de mulheres. A primeira pesquisa, "Women in Technology, da Michael Page", cobre a América Latina e foi divulgada em julho de 2021. O estudo buscou investigar as razões pelas quais existem poucas mulheres na área de tecnologia nos países latino-americanos. Participaram da análise profissionais C-level (presidentes, VPs, diretores e gerentes gerais) que trabalham na área, e também com serviços financeiros, varejo, engenharia e manufatura.

O levantamento mostrou que, no Brasil, 47% acreditam que a presença de mulheres é baixa por conta da falta de inspiração e de modelos a seguir, o que desestimula a participação delas no setor.

Em resumo: as mulheres não podem ser o que não podem ver. Além disso, a exacerbada autoexigência feminina no momento de buscar oportunidades impede que muitas conquistem esses cargos: elas tentam 20% menos vagas que os homens porque entendem que precisam cumprir 100% dos requisitos solicitados. Por outro lado, os homens se candidatam a vagas cumprindo apenas 60% dos requisitos, de acordo com o relatório Gender Insights Report - How Women Find Jobs Differently, do LinkedIn, de 2018.

Um bom contraponto a esse cenário, como mencionei, está na área de Comunicação. Um levantamento realizado pela Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial) em 2019 mostrou que as mulheres ocupam 69% dos cargos de liderança em comunicação corporativa e representam 45% do total de posições de direção ou vice-presidência nas empresas onde trabalham. Assim, ser a única mulher nas reuniões não deve ser motivo de intimidação.

Ao contrário, esse cenário tão expressivo de executivas que trabalham com Comunicação pode e deve servir de inspiração para as próximas gerações e funcionar como uma porta de entrada para cargos de liderança nas organizações.

Minha colega Márcia Guerreiro, atualmente diretora de Comunicação e Marketing para América Latina na Accenture, é uma referência no setor. Formada em jornalismo, trabalhou no O Estado de S. Paulo por quase 20 anos antes de migrar para a área corporativa.

Outros bons exemplos de liderança feminina em empresas de tecnologia são as executivas Priscilla Fiorin, que dirige a Comunicação para América Latina na Autodesk, e Fernanda Brunsizian, diretora de Comunicação Corporativa e Marca Empregadora para América Latina da RD Station. Todas iniciaram suas trajetórias profissionais em agências de Relações Públicas.

O trabalho da Comunicação Corporativa é fundamental para a estratégia das organizações e o conhecimento na área pode contribuir para o aprimoramento em outras disciplinas e habilidades profissionais. Quem trabalha no setor sabe o que pode impactar os negócios, como associar as relações institucionais às vendas e fazer campanhas de engajamento para a retenção de talentos. Eu destacaria ainda o conhecimento em planejamento estratégico, compreensão de tendências, resolução de problemas, trabalho em equipe e, claro, a própria comunicação.

As mulheres vêm ocupando merecidos espaços no mercado de trabalho, agregando talento, conhecimento e expertise às empresas, ao mesmo tempo em que abrem novos caminhos no mundo dos negócios. Um relatório da OIT (Organização Internacional do Trabalho) da ONU realizado em 70 países demonstrou que a presença feminina em cargos de diretoria é um dos fatores que contribuem para o desempenho e lucratividade das corporações. Os dados do estudo mostram que as mulheres são mais empáticas e flexíveis, assim como mais persuasivas e dispostas a assumir riscos.

Empresas e marcas devem levar em consideração que a diversidade entre as lideranças gera soluções diversas, impulsionam a inovação e a transformação, e podem trazer ainda mais rentabilidade aos negócios. Inspirar e incentivar a candidatura ou a promoção de mulheres nas áreas onde elas atuam será benéfico para todas as partes, em todos os sentidos.

Vamos juntas!

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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