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Carla Araújo


Exame de Bolsonaro é sigiloso e ele decide se divulga, diz hospital

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

20/03/2020 13h30Atualizada em 20/03/2020 19h00

O diretor do Hospital das Forças Armadas (HFA) em Brasília, general Rui Yutaka Matsuda, disse que o resultado dos exames do presidente Jair Bolsonaro para coronavírus é um documento pessoal e que, quando o hospital recebe do laboratório Sabin, o envelope vem lacrado.

"Não sei [se será divulgado]. Isso é pessoal dele. Nem nós podemos [divulgar], porque, quando mandamos para ele, não sabemos. Mandamos num envelope lacrado, e é ele que abre", afirmou o general à coluna.

Em relatório médico obtido pela coluna, assinado pelos médicos Marcelo Zeitone, assistente médico da Presidência da República, e Guilherme Guimarães Wimmer, coordenador de saúde da Presidência da República, há a informação de que Bolsonaro está sendo monitorado desde o dia 11 de março, quando desembarcou no Brasil, e que ele não teria risco de disseminar a doença.

"Conforme orientação do Ministério da Saúde, foi realizado exame para detecção de COVID-19, nos dias 12 e 17 de março, com amostras coletadas pela equipe do Hospital das Forças Armadas, e processadas no laboratório Sabin, nesta cidade de Brasília, com o resultado do referido exame dando não reagente (negativo)", diz o documento, que acrescenta que "não há, portanto, risco sanitário de contágio/disseminação por parte do presidente da República, uma vez que o mesmo não demonstrou ser até o presente momento, hospedeiro do novo coronavírus".

Segundo o diretor do Hospital das Forças Armadas (HFA), o laboratório Sabin, que é o parceiro na realização do exame, também não tem autorização para tornar o documento público. "O laboratório Sabin tem o controle, mas mesmo o Sabin não pode divulgar isso. Eles logicamente têm ciência, mas ele lacra, manda para nós, e nós mandamos para o presidente", afirmou.

Novos testes

Sobre a necessidade ou não de o presidente voltar a realizar os testes, já que boa parte da comitiva que viajou com ele para os EUA recebeu resultado positivo para a doença, o general afirmou que a repetição dos testes segue o protocolo do Ministério da Saúde, mas que o HFA pode atender, a qualquer momento, uma solicitação da Presidência da República.

"Ele vai refazer porque é o previsto: fazer a primeira vez, repetir no sétimo dia e no 14º dia. Esse é o protocolo, mas a gente faz sob demanda da Presidência", disse. O Palácio do Planalto pode solicitar, inclusive, o teste para ministros, e outras demandas que julgar necessária, afirmou.

Em nota, o Ministério da Defesa reiterou que o HFA "apenas apoia a Presidência da República nas suas necessidades em assistência de saúde, cabendo àquele órgão a solicitação dos exames".

Capacidade de atendimento do HFA

Em relação a uma estrutura para atendimento de autoridades em caso de necessidade de internação, a pasta respondeu que o "HFA tem uma estrutura específica para atender às autoridades preconizadas pelo Contrato nº 4/2016, cabendo à Presidência da República a decisão de encaminhamento para este nosocômio". Ou seja, cabe à autoridade definir se vai ao HFA ou a um hospital particular em caso de necessidade.

Ao UOL, Matsuda afirmou, ainda, que a cobertura do HFA tem como "segurados" cerca de 130 mil pessoas, mas que "logicamente, nenhum hospital vai receber 130 mil pessoas na mesma hora e mesmo local". "A nossa cobertura é de 130 mil pessoas que vivem na região do Distrito Federal, que são militares e dependentes de militares", disse.

Outra fonte do Ministério da Defesa argumentou que o local também tem como premissa atender e garantir a integridade e saúde da tropa, mas que, em situações de crise, pode ser acionada para auxiliar a população, e que, neste primeiro momento, acredita ser difícil que a instituição seja aberta à população.

Sobre o aumento de número de casos em Brasília —segundo o governo do Distrito Federal, já passam de 80—, a Defesa explicou que "o HFA busca, neste momento, estruturar-se para minimamente atender a esta demanda".

Carla Araújo