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Carla Araújo


Carla Araújo

Um dia antes de operação da PF, Flávio divulgou crítica a gastos de Witzel

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

26/05/2020 09h30Atualizada em 26/05/2020 15h12

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro é alvo de um inquérito para apurar suposta interferência na Polícia Federal, seu filhos e políticos também seguem ativos em críticas a adversários políticos. Ontem à noite, em sua conta no Instagram, o senador Flávio Bolsonaro divulgou uma mensagem criticando gastos do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) e sugerindo que havia alguma irregularidade.

A postagem tem o título "ABSURDO" e diz que o governador gastou R$ 233 milhões para construção de 1.300 leitos em hospitais de campanha. Já a prefeitura teria gasto R$ 10 milhões para construção de 500 leitos. "Alguma coisa errada que não está certa", escreveu o senador.

A mensagem parece ter sido originalmente postada pelo deputado estadual Anderson Moraes, que é alinhado a família Bolsonaro.

Na manhã desta terça-feira (26), a Polícia Federal deflagrou a Operação Placebo, para apurar indícios de desvios de recursos públicos destinados ao atendimento do estado de emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus (COVID-19), no Estado do Rio de Janeiro. O governador foi um dos alvos de busca e apreensão.

Procurada, a assessoria de Flávio não se pronunciou até o momento.

Ontem, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP), aliada de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), disse que alguns governadores estavam sendo investigados pela PF e que operações iriam ocorrer. Questionado sobre a operação hoje, Bolsonaro disse: "Parabéns à Polícia Federal. Fiquei sabendo agora pela mídia. Parabéns à Polícia Federal, está ok?"

Crise no Rio

A crise envolvendo a saúde no Rio de Janeiro não é novidade. No início de abril, a Secretaria Estadual de Saúde abriu uma sindicância para apurar a imposição de sigilo por parte da gestão Witzel em documentos sobre contratações emergenciais para combater o novo coronavírus. Os documentos tratavam de ao menos 11 contratações sem licitação que somavam R$ 1 bilhão.

No dia 17 de maio, o secretário estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Edmar Santos, foi exonerado do cargo por "falhas na gestão de infraestrutura dos hospitais de campanha para atender as vítimas da covid-19". Santos já estava sob forte pressão desde que que iniciaram uma série de denúncias de fraudes na compra de respiradores durante a crise sanitária do coronavírus.

No dia seguinte da exoneração, porém, o governador nomeou o auxiliar para outro cargo.

Empresário acusou senador

Recentemente, o empresário Paulo Marinho, que participou ativamente da campanha de Jair Bolsonaro, afirmou, em entrevista à Folha, que Flávio Bolsonaro recebeu, em 2018, informação privilegiada da PF sobre investigações que atingiriam o então assessor dele, Fabrício Queiroz, e a filha dele, Nathalia, que trabalhava no gabinete de deputado federal de Jair Bolsonaro em Brasília.

Ele diz ter ouvido de Flávio que a informação, repassada entre o primeiro e o segundo turno das eleições, fez com que a família Bolsonaro demitisse os dois assessores, o que ocorreu no dia 15 de outubro daquele ano.

Flávio nega as acusações e diz que Marinho que prejudica-lo por ser suplente do senador.

O filho do presidente pediu para acompanhar o depoimento de Marinho ao Supremo Tribunal Federal, mas o ministro Celso de Mello não autorizou. O ministro do STF está no centro das recentes críticas feitas por Bolsonaro e aliados ao STF. No domingo, o presidente publicou um artigo que indicaria abuso de poder e fez críticas por Celso de Mello ter liberado o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril.

A gravação é uma das acusações do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, de que o presidente queria interferir na Polícia Federal no Rio de Janeiro, para proteger a sua família

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Carla Araújo