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Carla Araújo


MJ vai investigar vazamento de dados do presidente e GSI apura o incidente

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

02/06/2020 10h30Atualizada em 02/06/2020 13h47

O ministro da Justiça, André Mendonça, informou à coluna que já determinou que seja instaurado um inquérito policial para apurar o vazamento de dados do presidente Jair Bolsonaro e de outras autoridades por um grupo de hackers.

Às 12h08, o ministro usou o Twitter para confirmar a informação e disse que determinou à Polícia Federal "abertura de inquérito para investigar vazamento de informações pessoais do presidente @JairBolsonaro, seus familiares e demais autoridades".

Um pouco depois das 13 horas, o presidente usou o Facebook para comentar o caso. "Em clara medida de intimidação o movimento hacktivista "Anonymous Brasil" divulgou, em conta do Twitter, dados do Presidente da República e familiares", escreveu. "Medidas legais estão em andamento, para que tais crimes, não passem impunes", completou Bolsonaro, que, até o momento, não colocou a mesma mensagem no Twitter.

Contas no Twitter supostamente pertencentes ao grupo hacker Anonymous Brasil publicaram ontem dados pessoais do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), familiares, ministros e aliados do governo federal. Os filhos do chefe do Executivo Carlos, Eduardo e Flávio, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, e o ministro da Educação, Abraham Weintraub, tiveram seus dados divulgados pelo grupo. Além deles, o deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP) foi atingido.

GSI vai apurar incidente

O diretor do Departamento de Segurança da Informação (DSI), general de Brigada Antônio Carlos de Oliveira Freitas, disse à coluna que o órgão, que é vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI), cuidará do incidente em si. "Mas a investigação para saber quem vazou não é conosco; é caso de inteligência, policial", explicou.

A avaliação no Palácio do Planalto é que não se deve dar mais publicidade ao grupo de hackers que vazou os dados, "pois ele querem justamente a cobertura da mídia".

"Os dados, muitos são requentados, em especial os do presidente. E muitos podem ser obtidos por pesquisa mais atenta na mídia aberta. Quer dizer, nem todos os dados são, propriamente, fruto de vazamento", ponderou o general.

Segundo Oliveira, os dados ficaram pouco tempo no ar. "O Twitter é muito ágil e eficaz: saiu das regras, derruba", disse.

O vereador e filho do presidente, Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) confirmou o vazamento. Ele atribuiu a culpa pela divulgação dos dados à "turma pró-democracia".

Grupo suspenso

Após o grupo de hackers ser suspenso pela rede social, eles já criaram um novo endereço. "Estávamos há 8 anos com o twitter @AnonymouBrasil, depois dos vazamentos do Bolsonaro, filhos e afiliados, a conta foi suspensa. Seguimos com essa secundária. #Anonymous #Antifascista".

O Anonymous foi criado em 2003. O grupo atua em outros países e ressurgiu no último domingo, após desdobramentos do caso de George Floyd, homem negro assassinado durante uma abordagem policial nos Estados Unidos. Em vídeo, a organização ameaça expor "muitos crimes" cometidos pela polícia em todo o mundo.

Carla Araújo