PUBLICIDADE
IPCA
0,86 Out.2020
Topo

Carla Araújo

Salário de parlamentares pagaria só 0,05% de um mês do auxílio emergencial

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro da Economia, Paulo Guedes - Cláudio Reis/Framephoto/Estadão Conteúdo
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ministro da Economia, Paulo Guedes Imagem: Cláudio Reis/Framephoto/Estadão Conteúdo
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

10/06/2020 15h57

O presidente Jair Bolsonaro fez praticamente um desafio público ao Congresso na terça-feira (9), ao dizer que, se parlamentares topassem reduzir os seus salários, o governo poderia pagar até R$ 1.000 por mês nas novas parcelas do auxílio emergencial, que deve ser prorrogado. "Se tivermos um programa para diminuir o salário do parlamentar à metade (...), eu pago até R$ 1.000 por mês", disse o presidente.

Os salários dos parlamentares, porém, estão longe de serem suficientes para bancar o auxílio. O gasto mensal com os salários de deputados e senadores é de pouco mais de R$ 20 milhões. Com esses recursos, seria possível pagar apenas 0,05% dos R$ 38,6 bilhões que o governo desembolsou na primeira das três parcelas do auxílio emergencial.

Nem considerando todas as despesas do Congresso, como viagens

Mesmo que não fossem considerados só os salários dos parlamentares, mas todos os gastos do Congresso (incluindo funcionários, viagens, prestadores de serviços e outras verbas), não daria para bancar nem um terço de um mês do auxílio emergencial.

Para 2020, o Orçamento da União prevê uma despesa de R$ 10,8 bilhões com Câmara dos Deputados e Senado. Se todo esse orçamento do Congresso fosse usado, pagaria apenas 28% de uma parcela mensal do auxílio emergencial.

Prorrogação custaria mais R$ 51 bilhões

Na semana passada, o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, afirmou que o pagamento adicional de mais duas parcelas do auxílio emergencial, em valor somado de R$ 600, iria custar mais R$ 51 bilhões aos cofres públicos, elevando a despesa total com o programa a cerca de R$ 200 bilhões.

Debate político

O gesto político de Bolsonaro em provocar parlamentares a discutir os seus salários em benefício da população teve resposta do Congresso ainda ontem. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, rebateu dizendo que a conta do presidente está "um pouco distante", mas afirmou que o Congresso não se opõe a esse debate.

"Acho que a conta está um pouco distante. O custo de dois meses [de auxílio] é de R$ 100 bilhões, o custo anual dos salários brutos dos parlamentares é de R$ 220 milhões. Lembrando que a Câmara já economizou mais de R$ 150 milhões. Mas nós não temos problema nesse debate, precisa ser feito", disse Maia.

Maia afirmou ainda que o custo de mão de obra dos três Poderes está na ordem de R$ 200 bilhões.

Segundo o presidente da Câmara, desse valor, R$ 170 bilhões custeiam o Executivo, incluindo servidores, ministros e presidente da República; R$ 25 bilhões bancam Ministério Público e Judiciário; e R$ 5 bilhões são gastos com o Congresso Nacional, incluindo parlamentares da Câmara e do Senado.

"Se o debate for esse, não há nenhum problema, que todo mundo participe para compensar a manutenção de dois meses ou três da renda mínima", disse Maia.

(Colaborou Antonio Temóteo)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.