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Carla Araújo


Mário Frias acerta ida para a Cultura; nomeação deve sair hoje

Mário Frias em "Senhora do Destino" - Reprodução
Mário Frias em "Senhora do Destino" Imagem: Reprodução
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

e Hanrrikson de Andrade

18/06/2020 17h51Atualizada em 18/06/2020 18h25

Em meio à crise envolvendo a prisão do ex-assessor Fabricio Queiroz, o presidente Jair Bolsonaro tenta algumas ações para mostrar que segue dando continuidade do governo e fechou nesta quinta-feira a nomeação do ator Mario Frias para a secretaria de Cultura, no lugar de Regina Duarte.

A nomeação deve constar no Diário Oficial da União que trará a exoneração de Abraham Wenitraub e a nomeação do atual secretário-executivo do órgão, Antônio Paulo Vogel, que deve assumir o cargo em caráter provisório.

O presidente Jair Bolsonaro passou o dia reunido com aliados e no início da tarde ao lado de Weintraub anunciou a esperada saída do ministro em um vídeo.

Bolsonaro já está no Alvorada e fará logo mais, às 19 horas, a transmissão em suas redes sociais. Segundo um ministro ouvido pela coluna a estratégia será se desvincular do ex-assessor de seu filho e amigo de longa data, preso hoje. "Queiroz não é problema do presidente", afirmou um auxiliar direto de Bolsonaro.

Apesar de tentar o distanciamento do caso, auxiliares admitem que qualquer assunto que envolva a família do presidente é muito delicado. "Esse assunto é pólvora", admitiu uma fonte palaciana.

Segundo relatos feitos à Folha de S. Paulo, Bolsonaro se queixou de que estão tentando a todo custo encontrar alguma evidência que o prejudique, mas ressaltou que reagirá ao que chamou de cerco jurídico.

A breve passagem da antecessora

Regina Duarte exerceu a função de secretária especial de Cultura por pouco mais de dois meses. Durante esse período, ela foi criticada por não dar expediente em Brasília —a atriz optou por trabalhar em São Paulo, perto da família— e por não agir com pulso firme em relação a temas importantes pelos bolsonaristas do núcleo ideológico do governo que se autodenominam "olavistas" (fãs do ideólogo Olavo de Carvalho).

Uma dos fatos que ajudaram a esquentar o óleo da fritura foi uma suposta inércia da atriz no combate ao "esquerdismo". Ela foi acusada por mais de uma vez de ser conivente com a presença de assessores e funcionários dentro da pasta da Cultura que, em tese, seriam alinhados ideologicamente a partidos e teorias opostas às que Bolsonaro defende.

O próprio presidente chegou a externar sua preocupação com a ocorrência de conflitos ideológicos dentro da secretaria. "Tem muita gente de esquerda [na secretaria de Cultura] pregando ideologia de gênero, essas coisas todas que a sociedade, a massa da população não admite. E ela tem dificuldade nesse sentido", disse ele, em 28 de abril.

Por outro lado, Regina também se mostrou insatisfeita com o fato de ter sido criticada publicamente pelo chefe. Com saudade da família e insegura quanto à postura do presidente, a própria artista começou a cogitar um pedido de demissão. Em maio, ambos buscaram uma espécie de saída honrosa para minimizar os danos de imagem. A ex-atriz da TV Globo foi então designada para comandar a Cinemateca, com sede em São Paulo.

Carla Araújo