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Carla Araújo


Economia chancelou ida de Weintraub aos EUA com carta ao Banco Mundial

O ex-ministro Abraham Weintraub, que está nos Estados Unidos - Reprodução/Instagram
O ex-ministro Abraham Weintraub, que está nos Estados Unidos Imagem: Reprodução/Instagram
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

22/06/2020 11h52

Além do passaporte diplomático que possivelmente usou como ainda ministro da Educação para os Estados Unidos, Abraham Weintraub utilizou pelo menos mais um documento do governo brasileiro para ter sua entrada autorizada no país. O Ministério da Economia, comandado por Paulo Guedes, enviou ao Banco Mundial uma carta de indicação com o nome do agora ex-ministro.

O documento foi elaborado pela área internacional da pasta e, segundo o ministério, Weintraub não teria uma cópia da carta. O ex-ministro é alvo de dois inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) e ainda não está claro como ele conseguiu entrar no país, já que os EUA proibiram a entrada de brasileiros devido à pandemia do novo coronavírus.

Questionados pela coluna, o Ministério da Justiça e da Casa Civil informaram desconhecer se o ministro entrou nos Estados Unidos com alguma documentação do governo brasileiro. Na última quinta-feira, ao lado do presidente Jair Bolsonaro, Weintraub anunciou que deixaria a pasta da Educação e falou da indicação para o Banco Mundial.

No mesmo dia, o ministério da Economia confirmou a indicação por meio de uma nota à imprensa.

"O governo brasileiro oficializou a indicação de Abraham Weintraub para diretor-executivo do grupo de países - conhecido como constituency - que o Brasil lidera no Banco Mundial. Com mais de 20 anos de atuação como executivo no mercado financeiro, Weintraub foi economista-chefe e diretor do Banco Votorantim, além de CEO da Votorantim Corretora no Brasil e da Votorantim Securities no Estados Unidos e na Inglaterra", dizia a nota.

O ministério destacou ainda que Weintraub foi "um dos responsáveis pela elaboração do Plano de Governo de campanha do presidente Jair Bolsonaro em 2018".

Viagem relâmpago e exoneração lenta

Weintraub só foi oficialmente exonerado do cargo de ministro no sábado, após a confirmação de que já teria entrado nos Estados Unidos.

No governo, ninguém quis comentar ou explicar o Diário Oficial tão tardio. A ordem é tentar abafar a crise provocada pelo ex-ministro da Educação.

Hoje pela manhã, nas redes sociais, o ex-ministro agradeceu a ajuda para deixar o Brasil. "Agradeço a todos que me ajudaram a chegar em segurança aos EUA, seja aos que agiram diretamente (foram dezenas de pessoas) ou aos que oram por mim", disse.

No meio jurídico há dúvidas se a saída de Weintraub do país pode ser considerada irregular. Conforme mostrou o UOL, para o advogado constitucionalista Marcellus Ferreira Pinto, o ex-ministro pode ser considerado ilegal pela lei americana e acabar deportado.

Na mira da Justiça

O ex-ministro é investigado no inquérito das fake news, que apura ameaças e ofensas contra ministros do STF e seus familiares. No vídeo da famosa reunião ministerial do dia 22 de abril, ele defendeu a prisão dos integrantes da corte. "Eu, por mim, colocava esses vagabundos todos na cadeia. Começando pelo STF", declarou. Por 9 a 1, o STF decidiu manter Weintraub no inquérito.

Também há um segundo inquérito sobre uma publicação nas redes sociais feita no início de abril, quando o então ministro usou uma imagem do gibi da Turma da Mônica em referência à China e, ao escrever sobre o coronavírus, trocou a letra R pelo L ao estilo do personagem Cebolinha. Em depoimento à PF, o ministro alegou ter usado "elementos de humor". A postagem teve repercussão negativa internacionalmente.

Carla Araújo