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Carla Araújo


Carla Araújo

Bolsonaro busca saída honrosa para Vitor Hugo para dar liderança ao centrão

Líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (PSL - GO) - Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (PSL - GO) Imagem: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

e Guilherme Mazieiro

23/07/2020 18h32

Não é de hoje que o presidente Jair Bolsonaro articula com parlamentares do chamado centrão para construir uma base capaz de dar sustentabilidade ao governo e também conseguir fazer avançar os projetos de interesse do Executivo no parlamento.

Segundo auxiliares do presidente, a troca do líder do governo na Câmara, Vitor Hugo (PSL-GO), ganhou força e o seu substituto deve ser mesmo o deputado Ricardo Barros (PP-PR), ex-ministro da Saúde do governo Temer.

O detalhe que falta para a troca ser efetivada é que Bolsonaro tem em Vitor Hugo um aliado leal e não quer "queimar e magoar" o atual líder.
"Dificilmente vão anunciar isso sem ter um lugar para o Vitor Hugo ir", disse um ministro, que admitiu a movimentação.

Procurado, Ricardo Barros desconversou, disse que a negociação não está madura e elogiou o atual líder. "Bolsonaro tem enorme apreço por Victor Hugo", declarou.

Conforme mostrou o UOL, a solução também teria como consequência arrefecer o conflito entre o centrão e o articulador político do governo, o ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).

No Palácio do Planalto, porém, há quem tenha resistência a mudança. "Não tem nada definido e a decisão é única exclusivamente do presidente", disse um auxiliar direto de Bolsonaro.

Governabilidade

O novo viés pragmático do presidente tirou de seu time de articuladores, ontem, uma antiga aliada. Bia Kicis (PSL-DF) foi destituída da função após votar contra a orientação do governo.

O movimento de abrir espaços para o centrão acontece desde o início do ano e se intensificou nos últimos meses.

A articulação do governo é para montar uma tropa de choque capaz não só de blindar o mandatário da ameaça de impeachment, que ganhou força na esteira das crises que ocorreram durante a pandemia do coronavírus, mas que também com poder de negociar votos no Parlamento e garantir aprovação de projetos.

Uma das pautas centrais do governo que será lançada nas próximas semanas é o Renda Brasil. A proposta que almeja ser o Bolsa Família de Bolsonaro entrou nas negociações do Fundeb.

O texto ainda está em elaboração por diferentes ministérios e o objetivo é lançá-lo ao Congresso com caminho pacificado para aprovação. Outro ponto é a reforma tributária, em discussão no Parlamento.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Carla Araújo