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Carla Araújo

Planalto vê Moro forte candidato, mas acredita cada vez mais em reeleição

Sergio Moro e Jair Bolsonaro de costas um para o outro - Marcos Oliveira/Agência Senado; Fernando Frazão/Agência Brasil
Sergio Moro e Jair Bolsonaro de costas um para o outro Imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado; Fernando Frazão/Agência Brasil
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

29/07/2020 13h45

Já não é de hoje que o assunto de reeleição está colocado na mesa do presidente Jair Bolsonaro. Ela foi admitida pelo presidente e tem sido cada vez mais destacada por aliados e auxiliares palacianos.

Nesta quarta-feira, em uma entrevista para o Diario de Pernambuco, o próprio vice-presidente Hamilton Mourão tratou como positiva a possibilidade de dois mandatos. "Julgo que o trabalho que o presidente Jair Bolsonaro vem realizando dará bons frutos e ele chegará em 2022 extremamente competitivo".

Se já não é mais segredo que Bolsonaro governa já pensando em sua reeleição. Agora, nas conversas e estratégias do governo há um alvo preferencial: o ex-ministro Sérgio Moro.

"Ele é um candidato forte, competitivo, mas vai ter dificuldades em encontrar uma postura, já que não poderá se portar como juiz", avaliou um ministro palaciano.

As recentes declarações de Moro - como que o governo teria lhe usado para tentar ter uma bandeira anticorrupção - foram vistas por auxiliares diretos do presidente de que o ex-juiz e ex-aliado "entrou de vez na disputa".

"Ele era um homem importante do governo, fez falas fortes, mas que mostram que ele tem o objetivo de tentar ganhar parte do eleitorado", disse um ministro. "Não acho que seja uma missão fácil", completou.

A avaliação é que a saída de Moro, que tinha um potencial de desmanchar parte do governo de Bolsonaro, não foi tão ruim. "Ele saiu mal, no começo achava que sua saída podia derreter o governo, mas o governo continuou e ainda tem sua força", disse um auxiliar.

Defesa da Lava Jato

Para auxiliares do presidente, ao decidir rebater as críticas do procurador-geral da República, Augusto Aras, em relação a Operação da Lava Jato, Moro mostra que ainda pretende usar a operação como uma das suas principais bandeiras.

"Isso pode ser um erro, porque uma parcela dos eleitores - mesmo os de direita - já reconhecem que o ex-juiz pode ter cometido abusos", avaliou um assessor palaciano. "Ele vai ter que ter mais discurso do que isso se quiser vencer", disse outro interlocutor palaciano.

Desafios futuros

Entre os aliados do presidente há pelo menos mais dois pontos destacados como possível fragilidades de Moro: a escolha de um vice também competitivo e o fato de que ele terá que se filiar a um partido político.

"Como ele vai defender essa bandeira de corrupção tendo chances de possuir correligionários investigados ou até culpados?", questionou um auxiliar do presidente.

Mandetta "descartado"

Auxiliares do presidente minimizam, pelo menos até o momento, a possível candidatura do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, como algo que poderia ser uma pedra no sapato de Bolsonaro.

Sobre a possibilidade de uma chapa Mandetta e Moro ou o inverso, um auxiliar direto do presidente brincou e disse que seria mais fácil eleger uma dupla sertaneja.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.