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Carla Araújo

Bolsonaro-candidato já escolhe slogan, mira popularidade e ameaça o teto

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se aproxima de aglomeração sem usar máscara em evento na Bahia - Reprodução/TV Clube
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se aproxima de aglomeração sem usar máscara em evento na Bahia Imagem: Reprodução/TV Clube

Do UOL, em Brasília

11/08/2020 15h14Atualizada em 11/08/2020 17h04

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Em um vídeo publicado na tarde desta terça-feira (11), o presidente Jair Bolsonaro resolveu referendar o seu papel cada vez mais forte de candidato à reeleição em 2022 ao abrir o gabinete presidencial para ouvir o que pode ser um possível slogan de campanha.

"A nossa nação, pátria amada Brasil, agora é mais forte, mais belo, mais justo. É mais gentil", cantou Roberval Cardoso da Silva apontando para um presidente sorridente, que mostra estar "tocando a vida", como ele mesmo disse na semana passada ao anunciar que o país bateria a marca de 100 mil mortes por coronavírus.

"Erga essa bandeira e grite com orgulho: 'Deus acima de todos e o nosso Brasil acima de tudo'", termina Roberval, ganhando o coro do presidente que se arrisca a cantar.

No abraço ao seu visitante ilustre, Bolsonaro o chama de Pavarotti e revela: "é um colaborador, fez alguns hinos conosco durante a campanha, a pré-campanha. Está nos visitando aqui hoje e eu estou muito feliz", diz o presidente.

Popularidade pode derrubar o teto

O presidente, que mostra alegria no seu projeto de continuidade no poder, tem intensificado a agenda de viagens em busca de mais popularidade.

Da área econômica, utiliza algumas ferramentas como o auxílio emergencial para os mais vulneráveis como ótima bandeira. Mesmo com problemas fiscais sérios e com um risco cada vez mais real de desrespeitar o teto de gastos,

Bolsonaro já pediu que Paulo Guedes encontre uma fórmula de estender o benefício.

A ala política já pressiona inclusive para a uma extensão até março, mas encontra fortes resistências na equipe econômica.

No fim de julho, o número dois de Guedes, Marcelo Guaranys disse que o teto de gastos do governo era resistente, "de titânio".

Conforme mostrou o jornal Folha de S. Paulo, os ministérios da Infraestrutura e do Desenvolvimento Regional já apresentam ao presidente uma lista de opções para que incrementar a agenda de viagens do presidente. Ambos já estariam discutido com o TCU (Tribunal de Contas da União) uma brecha na lei do teto de gastos em busca de verbas para obras.

Caberá (ou não) ao posto Ipiranga, ministro Paulo Guedes, que também já deu declarações projetando a reeleição do presidente, segurar o ímpeto do candidato Bolsonaro e tentar buscar um plano equilibrado de recuperação econômica pós-pandemia.