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Carla Araújo


Carla Araújo

De olho em 2022, Bolsonaro engaveta reforma de servidores e gera debandada

Presidente Jair Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes, em frente ao Palácio da Alvorada -
Presidente Jair Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes, em frente ao Palácio da Alvorada
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

12/08/2020 13h18

Eles já foram chamados de "parasitas" pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, mas, neste momento, quem mostra ter ganhado a queda de braço entre política e economia são os servidores públicos.

Cada vez mais candidato à reeleição, o presidente Jair Bolsonaro deu uma ordem ao seu posto Ipiranga: engavete qualquer mudança administrativa este ano.

Bolsonaro tem outras prioridades, como a agenda de viagens pelo Brasil, para aproveitar a popularidade do auxílio emergencial. Não é hora de ouvir barulho (que nunca é baixo) de milhares de servidores públicos contra ele.

Guedes tem "pequenas vitórias"

É fato que Bolsonaro tenta atender aos apelos fiscais de Guedes. O presidente congelou o aumento do funcionalismo até o fim de 2021. Mas Guedes queria mais. E o seu time que debandou também.

O então secretário Paulo Uebel, que já tinha pronta a reforma administrativa desde o ano passado, não viu razões para permanecer no governo diante da decisão. Pediu para sair.

Sempre que questionado o que aguardava para enviar a proposta ao Congresso Nacional, Uebel admitia que era preciso aguardar o "timing" político.

A voz das urnas

Ao anunciar a saída de Uebel e de Salim Mattar, que tinha a responsabilidade de privatizações, Guedes foi claro: "quem decide é o presidente", "é ele que tem voto".

A pergunta que automaticamente circula em Brasília, depois de sucessivas baixas na equipe do posto Ipiranga de Bolsonaro, é se Guedes é capaz se segurar a corda se ela esticar mais. "Ele aguenta", disse um auxiliar direto.

Guedes usa receio do impeachment

Se os ímpetos da ala política tiverem êxito e conseguirem um "jeitinho" de encontrar um meio de garantir recursos para obras, por exemplo, Guedes avisou ao presidente: pode dar impeachment.

A declaração ganha força quando o ministro a faz logo após uma reunião com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que também deu seu recado ao dizer que não haverá "jeitinho" para furar o teto de gastos. Maia tem na sua mesa diversos pedidos de impeachment contra o presidente, mas, por enquanto, afirma não ver motivos para abrir um processo de destituição de Bolsonaro.

"Não tem jeitinho, não tem esperteza. O que tem é uma realidade: temos uma carga tributária de mais de 33% do PIB [Produto Interno Bruto] somado ao déficit primário. Precisamos entender que essa conta está dentro do governo e está dentro do Congresso", afirmou o presidente da Câmara.

Na mesa do chefe

Bolsonaro autorizou Guedes a enviar a reforma tributária para o Congresso e até a discutir —a contragosto— uma possível volta da CPMF. O presidente, no entanto, evita colocar a cara no debate do Congresso justamente para não desagradar eleitores.

A equação sobre a mesa do presidente não é fácil. Ele quer fazer um planejamento de médio prazo, com os olhos em 2022. Mas até lá o país ainda tem muitos problemas a serem resolvidos.

Até porque, a pandemia de coronavírus, que por consequência gerou rombos na economia mundial e brasileira, ainda não acabou. Ontem, o Brasil alcançou a marca de 103.099 óbitos por conta da Covid-19.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Carla Araújo