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Carla Araújo

Bolsonaro cita FHC ao justificar atraso em parabenizar Biden

FHC - JF Diorio/Estadão
FHC Imagem: JF Diorio/Estadão
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

04/12/2020 04h00Atualizada em 05/12/2020 07h28

O presidente Jair Bolsonaro não está incomodado com a sua decisão de ainda não reconhecer oficialmente a vitória de Joe Biden nas eleições norte-americanas.

Alguns ministros e auxiliares têm aconselhado que Bolsonaro faça o gesto diplomático. Ironicamente, o presidente tem utilizado outro gesto. Quando recebe o aviso de que já estaria na hora de reconhecer Biden como presidente dos Estados Unidos, Bolsonaro pega alguns dos papeis que têm sobre a sua mesa, aponta para reportagens antigas e diz: "Só criticam o Bolsonaro, nem se lembram do FHC".

A justificativa exposta por Bolsonaro diz respeito as eleições de 2000, quando George W. Bush venceu o democrata Al Gore, mas sua vitória só foi confirmada pela Suprema Corte 36 dias após a eleição.

Na época, o então presidente Fernando Henrique Cardoso só enviou uma mensagem com felicitações a Bush com o fim do imbróglio judicial.

Em 2020, também há judicialização nas eleições norte-americanas, mas a derrota do atual presidente Donald Trump é praticamente incontestável. Admirador de Trump, o presidente brasileiro é um dos poucos líderes que ainda não reconheceram a vitória do democrata.

Data 'limite'

Ministros próximos do presidente afirmam que já há um convencimento para que Bolsonaro formalize os cumprimentos a Joe Biden no próximo dia 14. A data está sendo considerada como limite tanto pela equipe econômica como pela área política.

É neste dia que o Colégio Eleitoral vai se reunir e os representantes dos Estados votarão nos candidatos mais votados em seus territórios.

A eleição norte-americana tem um sistema distinto do Brasil. E, embora Biden já tenha votos suficientes para ser declarado o novo presidente dos Estados Unidos, é só a partir de 14 de dezembro que ele será, de fato, presidente eleito, segundo o calendário eleitoral de 2020 dos EUA.

Mudanças na diplomacia

Auxiliares do presidente também alertam que, após o reconhecimento da vitória de Biden, será preciso ajustar o posicionamento do Ministério das Relações Exteriores, hoje comandado por Ernesto Araújo.

4.mai.2020 - O cancheler basileiro, Ernesto Araújo, e o presidente Jair Bolsonaro - Ueslei Marcelino/Reuters - Ueslei Marcelino/Reuters
4.mai.2020 - O chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, e o presidente Jair Bolsonaro
Imagem: Ueslei Marcelino/Reuters

O ministro integra a chamada ala ideológica do governo. Sua manutenção no cargo é vista por alguns auxiliares como uma barreira grande nas relações com o novo governo dos EUA.

A exemplo do que aconteceu com o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, que deixou o ministério mas conseguiu um cargo no Banco Mundial, Bolsonaro deve buscar alguma saída honrosa para Ernesto.

"Nesse governo, com a ala ideológica não se brinca. Quando cai tem que cair para cima", disse um ministro à coluna.

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