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Carla Araújo

Bolsonaro e Pazuello mostram insensibilidade e falta de ação em Manaus

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

15/01/2021 14h10Atualizada em 15/01/2021 14h42

Um discurso fora da realidade e ainda eleitoreiro. Foi assim que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) preferiu mais uma vez tratar o agravamento da pandemia do coronavírus.

No mesmo dia em que o país parou para acompanhar os relatos mais inacreditáveis de pessoas morrendo por falta de oxigênio em Manaus (AM), Bolsonaro, ao lado do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, continuou defendendo o uso de remédios não comprovados, desqualificando as vacinas e praticamente lavando as mãos.

O discurso de tentar se eximir da responsabilidade ganhou mais um capítulo, nesta sexta-feira (15), com presidente reconhecendo a situação terrível em Manaus, mas dizendo que o governo fez a sua parte. Tentar relativizar a responsabilidade do governo e a gravidade da situação é algo inaceitável.

Na live semanal do presidente, nesta quinta-feira (14), a postura de Pazuello também chamou bastante atenção. O ministro, que chegou a visitar o Estado, pregou que as pessoas precisavam "dormir melhor" e ficar de bem com a vida. É claro que a imunidade de qualquer cidadão é melhor com alimentação e sono balanceados, não precisamos discordar neste ponto.

A questão é: como dormir bem vendo os hospitais lotados e pessoas morrendo asfixiadas com falta de oxigênio? Como ficar de bem com a vida se os brasileiros estão morrendo, se o presidente insiste em defender a cloroquina ao invés de incentivar a vacinação?

Se um cidadão comum optar por viver com dogmas negacionistas as consequências já se espalhariam para sua comunidade, já que estamos falando de um vírus que não respeita os limites de um único corpo. Agora, de autoridades, com compromissos públicos devidamente assumidos e jurados, o que se espera no mínimo é responsabilidade e ação.

O preço de tamanha irresponsabilidade (e insensibilidade) infelizmente já é expresso no número de brasileiros mortos, que segue em alta e já ultrapassa os 200 mil.

Agora, é esperar que o tempo traga a fatura, que não será leve, para Bolsonaro e Pazuello.