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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Senadores rondam Bolsonaro com nome do centrão para o Itamaraty

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) - Reprodução/Twitter/SenadoFederal
O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) Imagem: Reprodução/Twitter/SenadoFederal
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Hanrrikson de Andrade e Luciana Amaral, do UOL, em Brasília

25/03/2021 16h32Atualizada em 25/03/2021 17h45

A possível queda do polêmico Ernesto Araújo deve abrir uma disputa entre senadores pela vaga de ministro das Relações Exteriores. O principal nome que ronda o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a quem cabe decidir o futuro da pasta, é o do sul-matogrossense Nelsinho Trad (PSD), comandante da CRE (Comissão de Relações Exteriores).

Além de ter trânsito dentro do governo, o parlamentar conta com a simpatia do colega Ciro Nogueira (PP-PI). Personagem relevante do centrão, Nogueira é aliado estratégico do Palácio do Planalto, interlocutor frequente de Bolsonaro e uma espécie de padrinho do atual presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

O nome de Trad já foi sugerido a Bolsonaro em janeiro deste ano, quando Araújo já se encontrava fragilizado pelas críticas oriundas de todos os lados, tanto da política quanto da sociedade civil, a respeito da atuação do Itamaraty no apoio ao combate à pandemia do coronavírus.

Depois de acumular desgastes diplomáticos, sobretudo com a China, país que produz insumos fundamentais à fabricação de vacinas e é parceira do Instituto Butantan (SP) na produção da CoronaVac, o atual chanceler começou a enfrentar resistência pública dentro do Congresso. O centrão —bloco informal que compõe a base do governo— passou a pleitear a sua saída.

Uma eventual troca de Araújo por Trad, portanto, seria uma vitória dupla para o centrão.

Nogueira e Trad almoçaram hoje com Bolsonaro no Palácio do Planalto, logo depois de o presidente ter recebido em seu gabinete o criticado Araújo. Além da dupla, também participaram do encontro os senadores Márcio Bittar (MDB-AC), Ciro Nogueira (PP-PI), Mecias de Jesus (Republicanos-RR), além dos ministros Fábio Faria (Comunicações) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).

Nelsinho Trad nega que tenha sido convidado ou que o assunto tenha sido discutido no almoço.

No encontro, os presentes alertaram Bolsonaro que as mortes diárias no Brasil pela covid-19 podem chegar a até 5 mil pessoas por dia, caso ações mais efetivas para o enfrentamento da pandemia não sejam tomadas, apurou a reportagem.

Trad não é o único que estaria cotado para sentar na cadeira de ministro das Relações Exteriores. O ex-presidente da República Fernando Collor (PROS-AL), que tem afinidade com os assuntos de natureza diplomática e interesse pessoal pela área, recentemente se aproximou de Bolsonaro e tornou-se um aliado estratégico. Collor chegou a subir no mesmo palanque que Bolsonaro durante visita a Alagoas. Outro nome lembrado é o do senador Antonio Anastasia (PSD-MG).

Ainda que o Congresso pressione pela saída de Ernesto e a situação tenha atingido um pico mais crítico na pandemia, há integrantes do próprio centrão que reconhecem uma maior dificuldade de tirá-lo do cargo do que outros ministros, como o ex-titular da Saúde general Eduardo Pazuello. Isso porque Ernesto representa a base mais ideológica de Bolsonaro no governo. Sem o Ernesto e o apoio dessa base, Bolsonaro fica ainda mais à mercê dos parlamentares.

O Senado ainda cobra de Bolsonaro o afastamento do assessor especial para assuntos internacionais da Presidência Filipe Martins, que fez um gesto considerado obsceno ou símbolo de supremacistas brancos por parte da sociedade na audiência ontem de Ernesto Araújo no Senado. Martins alega que estava ajeitando a lapela do terno. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), pediu que a Polícia Legislativa investigue o caso.

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