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Carla Araújo

REPORTAGEM

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Exército não crê em prisão de Pazuello e aposta em "bom senso" do Congresso

O general Eduardo Pazuello recebeu apelo de ministros e militares para não ir de farda à CPI - Valter Campanato/Agência Brasil
O general Eduardo Pazuello recebeu apelo de ministros e militares para não ir de farda à CPI Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

13/05/2021 13h06

O depoimento tenso do ex-secretário de comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten, elevou a apreensão no Planalto e ampliou o desconforto de militares (da ativa e da reserva) em relação ao depoimento do ex-ministro da Saúde general Eduardo Pazuello, que está marcado para acontecer no próximo dia 19.

A possibilidade de prisão levantada pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), em relação a Wajngarten fez circular entre os militares possíveis cenários de uma eventual prisão de Pazuello.

Generais de alta patente, ligados ao comando do Exército, disseram à coluna que "ninguém espera que isso aconteça", mas que se Pazuello receber uma ordem de prisão, pelo menos no primeiro momento, a orientação na Força é de que a ordem seja cumprida. "O Exército cumpre a lei", afirmam.

Apesar disso, a avaliação que está sendo feita é de que a CPI tradicionalmente traz um choque de narrativas e, no caso de divergências que possam levar a prisão de um general da ativa, "o bom senso deve prevalecer".

Outro argumento usado por militares para esperar um comportamento cauteloso por parte dos senadores é que a prisão do general Pazuello seria uma "provocação arriscada", já que muitos políticos, principalmente os que tem base eleitoral em regiões mais carentes, sabem que a atuação das Forças Armadas nas localidades recebe apoio da população.

A decisão de uma reação do Exército caberá ao novo comandante, general Paulo Sérgio.

Para um general da reserva, que comandou o atual chefe do Exército, dar voz de prisão a um oficial general deve ter consequências que serão "bem avaliadas" por Paulo Sérgio.

Saia-justa

Apesar de não acreditarem que uma prisão de Pazuello possa acontecer, os militares admitem que o estilo "mais agressivo" da CPI deve ser firme também com Pazuello e que o fato de ser um general da ativa não deve aliviar a situação.

Por isso, não se nega mais entre os militares que o ex-ministro continua criando uma "saia-justa" para as Forças. Nas palavras de um general, não há como "escapar desta sinuca de bico"

Uma das apostas entre os militares é de que Pazuello - que está sendo treinado pelo Planalto e com respaldo da AGU (Advocacia-Geral da União) - tende a ter um perfil "mais político e menos militar" em seu depoimento.

Apoio da classe

Apesar do consenso de que Pazuello errou e gerou uma crise permanecendo na ativa enquanto ministro, alguns grupos de conversas de militares (a maior parte da reserva) tem expressado solidariedade ao ex-ministro nos últimos dias.

Um general que despacha no Palácio do Planalto afirmou que considera "absolutamente inaceitável" a prisão de Pazuello. O discurso neste caso é o mesmo adotado pelo presidente Jair Bolsonaro e também por seus filhos: questionar a legitimidade de Renan ou de outro senador para dar voz de prisão.

"Ali (no Senado), ninguém tem moral para tal", disse o militar de alta patente que ainda afirma acreditar na honestidade de Pazuello.

De farda não

Mesmo entre os que tentam relativizar as graves acusações contra o ex-ministro, fontes do Planalto, da Defesa e do Exército rechaçam a possibilidade de que Pazuello vá depor usando uma farda de general.

Quando essa possibilidade foi aventada houve um apelo generalizado de colegas de Pazuello, incluindo dos ministros militares, para demovê-lo desta ideia "completamente maluca".

A argumentação dos militares é que Pazuello fez a opção de aceitar o cargo no governo e que deve ir à CPI responder por suas atitudes ao menos "vestido como civil".