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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Argumento de Pazuello não deve convencer Exército; generais querem punição

Pazuello discursa ao lado de Bolsonaro em ato no Rio - Reprodução
Pazuello discursa ao lado de Bolsonaro em ato no Rio Imagem: Reprodução
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

28/05/2021 15h20

O argumento escolhido pelo ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, de que ao participar de um evento no Rio de Janeiro com o presidente Jair Bolsonaro não estaria em um palanque político não deve sensibilizar integrantes do Alto Comando. Um general que faz parte do grupo afirmou à coluna que as explicações de Pazuello "não convencem".

Na avaliação dos militares de alta patente, a infração de Pazuello foi "pública e notória" e segue passível de punição. A expectativa é de que o Comandante do Exército, general Paulo Sérgio, aplique ao menos uma advertência a Pazuello.

O receio segue o mesmo: o Exército não pode deixar brecha para autorizar que outros militares sintam-se a vontade em palanques, ainda mais em ano pré-eleitoral.

Generais da reserva que têm acompanhado o caso disseram à coluna que consideram o argumento usado pelo ex-ministro de "ridículo".

Alegam que o fato de o presidente não ter partido não significa que ele já não está em plena campanha de reeleição.

Nas palavras de um general, "o presidente só fala e pensa em 2022. Como não é ato político?".

Nesta sexta-feira, em entrevista ao UOL, o ex-ministro e general da reserva, Carlos Alberto dos Santos Cruz afirmou que nem Pazuello acredita na sua versão apresentada como defesa.

"Saímos do limite do razoável e fomos para o limite do absurdo para ter que escutar coisa desse tipo", afirmou.

Alinhado com Bolsonaro

O argumento do ex-ministro da Saúde seguiu um script apresentado também por Bolsonaro, de que o ato no Rio seria apenas um passeio programado de motociclistas.

"Parabéns aos motociclistas do Brasil! É um encontro que não teve nenhum viés político, até porque não estou filiado a partido nenhum ainda. Foi um movimento pela liberdade, democracia e apoio ao presidente", disse o presidente ontem (27) durante sua live semanal, transmitida de São Gabriel da Cachoeira (AM).