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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Fiesp adia para após 7 de setembro manifesto que causou racha na Febraban

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

e Giulia Fontes, do UOL

30/08/2021 13h49Atualizada em 30/08/2021 19h36

Após o embate interno na Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e com a repercussão no governo sobre o manifesto "a favor da democracia" elaborado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o presidente da entidade, Paulo Skaf, decidiu adiar a divulgação do documento.

A expectativa agora é que o documento só seja divulgado depois do feriado de 7 de setembro, quando o presidente Jair Bolsonaro pretende participar de manifestações a favor do seu governo em Brasília e em São Paulo.

Segundo apurou a coluna, o documento organizado pela Fiesp já tinha mais de 200 signatários na última sexta-feira (27). Skaf havia enviado para diversas entidades um e-mail na última quinta-feira (26) dando um prazo de pouco mais de 24 horas para adesão.

O documento, que inicialmente seria divulgado nesta terça-feira (31), provocou uma crise institucional em uma das entidades signatárias, a Febraban. No final de semana, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal afirmaram que deixariam a Federação caso ela assinasse o documento.

Nesta segunda-feira (30), o ministro da Economia, Paulo Guedes, tentou minimizar a interferência do governo nos bancos públicos, mas criticou a Febraban dizendo que a entidade é que tentou mudar o teor do documento.

"A informação que eu tenho é a seguinte, que haveria um manifesto em defesa da democracia, e aí não haveria problema nenhum. E que alguém na Febraban teria mudado isso para, em vez de ser uma defesa da democracia, seria um ataque ao governo", afirmou Guedes.

Signatários e teor do documento

Mesmo com a polêmica envolvendo a Febraban, segundo fontes da Fiesp, o interesse para fazer parte do documento "explodiu" e por isso o prazo para adesão foi prorrogado até o final desta semana. Com isso, a expectativa internamente é de que o número de participantes cresça significativamente.

Nas últimas semanas, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) subiu o tom contra ao STF (Supremo Tribunal Federal). Bolsonaro chegou a enviar um pedido de impeachment de um dos ministros da Corte, Alexandre de Moraes. O pedido foi arquivado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

A redação do manifesto, no entanto, não deve mudar e manterá o apelo pela harmonia dos três poderes, sem citar nominalmente o presidente Jair Bolsonaro e seu discurso belicoso principalmente em relação ao STF.

Posição oficial

Em nota divulgada no fim da tarde desta segunda-feira (30), a Fiesp confirmou que o manifesto continha mais de 200 adesões e afirmou que estendeu o prazo para ter mais signatários. A entidade, porém, não admitiu que o adiamento aconteceu por conta da crise envolvendo a Febraban.

"Na última quinta-feira, a Fiesp enviou consulta a diversas entidades para subscreverem o Manifesto em favor do entendimento e da harmonia entre os três poderes da República. Em 24 horas, recebemos mais de 200 adesões, das mais representativas entidades brasileiras. Dezenas de outras entidades também manifestaram interesse em participar. Em função desse cenário, informamos que estendemos o prazo para novas adesões, que poderão ser feitas ao longo da semana", diz a nota.

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