PUBLICIDADE
IPCA
0,87 Ago.2021
Topo

Carla Araújo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Em dia útil, Bolsonaro perde o pudor e troca o trabalho por motos e cavalos

O presidente Jair Bolsonaro anda a cavalo antes de inauguração de obra em Uberlândia (MG)  - Alan Santos/PR
O presidente Jair Bolsonaro anda a cavalo antes de inauguração de obra em Uberlândia (MG) Imagem: Alan Santos/PR
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

31/08/2021 17h25

Terça-feira, dia 31 de agosto de 2021, e o presidente Jair Bolsonaro dá demonstrações de que suas prioridades estão longe de ser as mesmas de todos os brasileiros. Além de sua insistência na tentativa de inflar os atos de 7 de setembro, Bolsonaro despiu-se de pudor e já vestiu de vez o uniforme de candidato à reeleição. Chegou a subir em palanque, ao som de seu jingle de campanha de 2018, em Uberlândia (MG).

Parece que vivemos em um país sem problemas. É como se a pandemia tivesse acabado, como se as contas estivessem em ordem.

Mas a realidade é outra: a variante Delta está ai e traz um cenário de atenção para setembro. A energia vai ficar ainda mais cara, a gasolina já bateu na faixa dos R$ 7, a inflação está em trajetória de alta. O que não falta é problema na mesa da autoridade máxima do país.

O dia de hoje, inclusive, teve uma série de outras agendas em Brasília, mas não para Bolsonaro.

Pela manhã, enquanto os presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, tiveram um encontro com o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, para tentar encontrar uma solução para o "meteoro" dos precatórios, o presidente passeava a cavalo pelas ruas de Uberlândia, em Minas Gerais.

Pela tarde, enquanto o Ministério da Economia apresentava o Orçamento de 2022 — que não prevê recursos para o Bolsa Família turbinado — Bolsonaro passeava de moto pelas ruas da cidade mineira.

Originalmente, a agenda presidencial em Uberlândia tinha como objetivo a inauguração de um Complexo de Captação e Tratamento de Água. O evento, no entanto, não foi a principal atração da agenda do dia de trabalho do presidente.

Antes da agenda oficial, Bolsonaro pegou uma bandeira do Brasil e resolveu andar a cavalo pela cidade.

No início do seu discurso na cerimônia, Bolsonaro tentou justificar a atitude e disse que era uma obra "do destino".

Quis o destino que por ocasião da minha chegada aqui tinha um cavaleiro com a bandeira do Brasil, eu parei e muito simpático eu montei no cavalo dele"
Jair Bolsonaro, presidente e candidato à reeleição

À tarde, ainda em Uberlândia, foi a vez de o presidente participar de uma motociata pela cidade mineira, causando novas aglomerações.

O comportamento do presidente — de causar aglomerações e não usar máscara — já é comum, nem chega a causar mais surpresa, mas em menos de uma semana Bolsonaro parece ter perdido o pudor e pela segunda vez — em horário de expediente — decidiu passear de moto.

Na última sexta-feira (27), Bolsonaro participou de um passeio de moto em Goiânia, também por volta das 15h. Antes, o presidente ainda guardava esses momentos para os finais de semana e as atividades eram classificadas como "agenda privada ou pessoal".

Depois, subiu em palanque e disse que a passagem pela "querida Minas Gerais não tem preço".

Todos esses eventos — fora da agenda oficial — são transmitidos pelas redes sociais do presidente.

A despeito de todos os problemas em sua mesa sem solução, Bolsonaro escancara que seu foco é apenas um: permanecer no poder. A pergunta que fica é como isso não se configura em campanha antecipada?

PUBLICIDADE

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL