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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Braga Netto veste camisa de Bolsonaro, mas Exército ainda crê em distância

Bolsonaro conversa com ministro da Defesa, Walter Braga Netto, durante passagem de desfile de tanques em blindados por Brasília   - ANTONIO MOLINA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Bolsonaro conversa com ministro da Defesa, Walter Braga Netto, durante passagem de desfile de tanques em blindados por Brasília Imagem: ANTONIO MOLINA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

07/09/2021 16h55Atualizada em 07/09/2021 21h36

Com uma camisa preta que tinha a imagem de uma caveira e uma ilustração da bandeira do Brasil, o ministro da Defesa, Braga Netto, "desfilou" por Brasília nesta terça-feira (7) reforçando a ideia de que apoia cada vez mais os rompantes golpistas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Após a cerimônia de hasteamento da bandeira, o ministro acompanhou o presidente Jair Bolsonaro na manifestação que aconteceu na Esplanada dos Ministérios.

Para alívio de militares do alto escalão, no entanto, o ministro não discursou e também decidiu não acompanhar Bolsonaro para o protesto na Avenida Paulista, em São Paulo.

Militares de alta patente ouvidos pela coluna tentaram inclusive minimizar a presença de Braga Netto no ato em Brasília e afirmaram que a manifestação aconteceu de "forma ordeira", sem nenhuma ameaça concreta de invasão do STF (Supremo Tribunal Federal), por exemplo.

Não é de hoje que o ministro de Defesa vestiu de fato a camisa do bolsonarismo, mas o receio maior era que usasse o cargo e nome das Forças Armadas em alguma fala com tom golpista nos atos de hoje.

Para alguns generais ouvidos pela coluna, apesar de estar longe do recomendável, a participação de Braga Netto nos atos não tem nenhuma proibição, já que o seu cargo é político.

Havia um receio até mesmo uma participação do Comandante do Exército, general Paulo Sérgio, o que (também para alívio dos militares) não aconteceu.

Na avaliação de um general da ativa, mesmo com o ministro da Defesa "na foto" que Bolsonaro diz que quer mostrar para os presidentes de outros Poderes, não há razões para que os atos deste 7 de setembro inflem uma suposta participação dos militares em alguma tentativa de golpe.

"Qualquer golpe inconstitucional com a presença das Forças Armadas segue fora de cogitação", afirmou.

E o Mourão?

Chamou a atenção entre alguns militares a presença do vice-presidente Hamilton Mourão também no ato político em Brasília.

Mourão havia dito a interlocutores que não pretendia participar. Além disso, o presidente e seu vice possuem uma relação não muito harmoniosa e Mourão busca equacionar falas de tons golpistas de Bolsonaro.

Nesta terça-feira, porém, Mourão, assim como Braga Netto, decidiu estar na fotografia com Bolsonaro.

Ao jornal O Globo, Mourão justificou a presença com a expressão em francês "Noblesse oblige", que significa "a nobreza obriga", ou seja, que seria uma imposição do cargo que ocupa.

Ainda faltam, porém, mais explicações do vice-presidente e também do ministro da Defesa sobre até onde de fato estão dispostos a apoiar as falas antidemocráticas que Bolsonaro registrou na história do Brasil neste 7 de setembro.

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