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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Exército quer evitar palco para Bolsonaro e teme ida de Braga Netto a ato

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

06/09/2021 04h00

O Exército tem acompanhado com seu setor de inteligência os preparativos das manifestações de 7 de setembro, mas afirma que, apesar dos incentivos do presidente Jair Bolsonaro aos protestos, não há nenhuma preocupação excessiva com violência nem a previsão de que os atos saiam fora do controle das autoridades de segurança locais.

Militares de alta patente ouvidos pela coluna destacaram que a cerimônia de hasteamento da bandeira, por conta do feriado da Independência do Brasil, que acontecerá a partir das 8h da terça-feira (7) no Palácio da Alvorada, não deve ser usada como palco político do presidente. Não há, por exemplo, previsão de que ele faça discurso.

O tradicional desfile da independência foi cancelado pelo segundo ano seguido por conta da pandemia. O modelo adotado pelas Forças Armadas neste ano para comemorar a data deve repetir o roteiro de 2020. Além do hasteamento da bandeira, haverá apresentação de banda, salto de paraquedas, esquadrilha da fumaça e exposição de material.

Um general da reserva ouvido pela coluna chegou a comentar que era um alívio para o Exército o fato de não haver desfile neste ano, justamente para evitar que Bolsonaro usasse ainda mais a imagem das Forças Armadas como suposto suporte aos seus rompantes de golpes contra as instituições.

O comandante do Exército, general Paulo Sérgio, assim como os chefes das demais Forças, estará com o presidente Jair Bolsonaro na cerimônia no Alvorada.

Após o evento, no entanto, a expectativa é que a participação de Paulo Sérgio seja encerrada e que ele não acompanhe o presidente nas manifestações que acontecerão na Esplanada, em Brasília, e na Avenida Paulista, em São Paulo.

Além de não existir essa previsão, generais destacam que caso o comandante quebre esse protocolo haverá um desconforto na caserna.

O receio entre os militares, que acumulam desgaste da imagem no governo Bolsonaro, é uma participação do ministro da Defesa, general da reserva Braga Netto.

Um general da ativa destacou que não há impedimento legal para a participação do ministro, que, mesmo sendo militar, ocupa um cargo político.

Apesar disso, essa mesma fonte destaca que a presença de Braga Netto no ato político "está longe de ser recomendável".

"Não é o ideal, mas não há proibição. No caso de uma eventual participação do comandante, aí sim a coisa muda de figura. De qualquer forma, a sinalização que temos é que o general Paulo Sérgio não vai se misturar com a pauta política", disse um militar de alta patente.

E a possível participação da polícia?

Militares que acompanham o monitoramento dos atos, incluindo alguns ligados ao GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência, afirmam que o cenário de uma eventual insurgência das polícias estaduais está "fora de cogitação". "Não estamos traçando nenhum cenário de caos", disse uma fonte do Quartel-General.

Na avaliação desses militares, as polícias estaduais têm um ordenamento próprio, com plano de carreira, e, além disso, não existe uma liderança nacional que pudesse, por exemplo, coordenar qualquer possibilidade de golpe com a participação de policiais.

Um general de alta patente, que despacha no Planalto, afirmou ainda que, na sua avaliação, os protestos de 7 de setembro devem repetir os mesmos atos que já aconteceram com a presença do presidente, sem nenhuma intercorrência grave.

"É o que esperamos. A ideia é que, depois do dia 7, venha o dia 8. Sem nenhuma consequência grave. E, como não será feriado [no dia 8], a expectativa é que as pessoas voltarão a trabalhar normalmente", disse.

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