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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Em carta como presidenciável, Doria ataca PT e defende democracia e vacina

João Doria apresentará carta em evento em Brasília - Getty Images
João Doria apresentará carta em evento em Brasília Imagem: Getty Images
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

20/09/2021 10h33

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), está em Brasília nesta segunda-feira (20) para anunciar sua inscrição nas prévias do PSDB para poder concorrer à Presidência da República em 2022.

Em sua carta de inscrição, que a coluna teve acesso (leia a íntegra abaixo), Doria não cita nominalmente o presidente Jair Bolsonaro, mas afirma que o país está vivendo tempos de "retrocesso".

"Os tempos são de retrocesso. Retrocesso institucional, democrático, econômico, ambiental, social, político e moral. Nossas instituições têm sido atacadas, mas dão provas de independência e coragem ao defenderem o que temos de mais sagrado: respeito à Constituição, ao Estado Democrático de Direito, com eleições livres, diretas e com voto eletrônico", escreveu o governador.

Doria deve disputar as prévias do PSDB contra o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e com o partido com rachas importantes em suas lideranças.

Na carta, Doria ataca o PT e, neste caso, afirma nominalmente que os governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff "representaram a captura do Estado pelo maior esquema de corrupção do qual se tem notícia na história do País". "Fazer políticas públicas para os mais pobres não dá direito, a quem quer que seja, de roubar o dinheiro público. Os fins não justificam os meios", afirmou Doria.

O governador também faz no documento um aceno ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que já chegou a sinalizar que apoiaria Lula contra Bolsonaro em 2022, caso a polarização se desse entre os dois nomes.

"Nos orgulhamos dos oito anos de governo FHC, da consolidação do Plano Real, da Lei de Responsabilidade Fiscal, da Lei dos Genéricos, da criação e avanços dos programas sociais que deram origem ao Bolsa Família. E principalmente nos orgulhamos da defesa incessante da democracia", diz.

Vacina como bandeira

Doria, que deve usar a vacinação contra o coronavírus como uma das suas principais bandeiras eleitorais caso seja o candidato escolhido pelo PSDB, também destaca o protagonismo de São Paulo na campanha de vacinação.

"Guiados pela ciência, buscamos a vacina. Nosso Estado vacinou a primeira brasileira, a enfermeira negra Mônica Calazans, em 17 de janeiro de 2021. E será o primeiro Estado a imunizar toda a população", afirmou.

Agenda econômica

Doria também aproveitou a carta para dar sinais de que, caso seja o candidato do partido, defenderá uma política econômica com responsabilidade fiscal e incentivo das reformas.

"São Paulo vem se recuperando rapidamente da pandemia. A economia cresceu 30% acima da média nacional e gera 1/3 de todos os novos empregos do país. Resultado de planejamento, gestão e trabalho que queremos levar a todo o Brasil. Ações eficientes e transparentes. Não perdemos tempo criticando problemas. Investimos tempo na solução dos problemas", escreveu Doria.

O governador afirma ainda que o seu projeto de país "baseia-se na pacificação nacional e em pilares sólidos: proteção aos mais vulneráveis, geração de empregos e distribuição de renda; educação em tempo integral e ensino técnico de qualidade; crescimento sustentável com equilíbrio das contas públicas; reformas que favoreçam o ambiente de negócios e a atração de investimentos; preservação do meio ambiente e integração com o agronegócio".

Doria promete que se for candidato à Presidência terá "o compromisso inarredável com a democracia e liberdade de expressão" e que vai fortalecer o pacto federativo, com autonomia para estados e municípios. "E, acima de tudo, investir no equilíbrio e harmonia entre os Poderes, como valor inatacável ao Estado Democrático de Direito. Trabalharemos por um Brasil mais digno e justo, que recupere seu prestígio internacional e atue na vanguarda do processo civilizatório", escreveu.

Veja a íntegra da carta do governador

Brasília, 20 de setembro de 2021


CARTA DE INSCRIÇÃO ÀS PRÉVIAS PRESIDENCIAIS 2022

É com orgulho, humildade e senso de dever público que registro minha candidatura nas prévias do PSDB à disputa presidencial de 2022. Sou filho da democracia. Meu saudoso pai, João Doria, foi deputado federal, lutou contra a ditadura e foi exilado por 10 anos. Eu mesmo fiquei no exílio por 2 anos com meus pais. Só quem sofreu com a ditadura militar sabe o que foi esta violência no Brasil.

Sou filho das prévias. Construí minha candidatura nos braços da militância do PSDB até vencer a disputa pela prefeitura de São Paulo no primeiro turno em 2016. Igualmente, disputamos e vencemos as prévias para o Governo de São Paulo em 2018. Por isso, rendo minha homenagem ao PSDB, no qual sou filiado há 20 anos. As prévias do PSDB nos impulsionaram a duas vitórias eleitorais. Pela democracia e pelo voto, rendo minha homenagem às prévias.

Os tempos são de retrocesso. Retrocesso institucional, democrático, econômico, ambiental, social, político e moral. Nossas instituições têm sido atacadas, mas dão provas de independência e coragem ao defenderem o que temos de mais sagrado: respeito à Constituição, ao Estado Democrático de Direito, com eleições livres, diretas e com voto eletrônico.

Desde a redemocratização, o PSDB foi o partido que colocou o país na rota do desenvolvimento. Nos orgulhamos dos oito anos de governo FHC, da consolidação do Plano Real, da Lei de Responsabilidade Fiscal, da Lei dos Genéricos, da criação e avanços dos programas sociais que deram origem ao Bolsa Família. E principalmente nos orgulhamos da defesa incessante da democracia.

Infelizmente, os anos que se seguiram com os governos de Lula e Dilma representaram a captura do Estado pelo maior esquema de corrupção do qual se tem notícia na história do País. Fazer políticas públicas para os mais pobres não dá direito, a quem quer que seja, de roubar o dinheiro público. Os fins não justificam os meios.

Na nossa primeira experiência, na prefeitura de São Paulo, ao lado de Bruno Covas, seguimos a boa prática do equilíbrio dos gastos públicos, transparência e inovação na gestão da maior cidade do país.

No governo do Estado de São Paulo, enfrentamos nosso mais difícil teste na administração pública, com a grave pandemia de Covid-19. Guiados pela ciência, buscamos a vacina. Nosso Estado vacinou a primeira brasileira, a enfermeira negra Mônica Calazans, em 17 de janeiro de 2021. E será o primeiro Estado a imunizar toda a população. Fizemos as reformas da Previdência e a Administrativa, além de amplo programa de privatizações. Extinguimos estatais e reduzimos a máquina pública. As decisões renderam frutos. São Paulo vem se recuperando rapidamente da pandemia. A economia cresceu 30% acima da média nacional e gera 1/3 de todos os novos empregos do país. Resultado de planejamento, gestão e trabalho que queremos levar a todo o Brasil. Ações eficientes e transparentes. Não perdemos tempo criticando problemas. Investimos tempo na solução dos problemas.

Criamos o mais amplo programa de proteção aos mais pobres de São Paulo. Fizemos um projeto liberal de governo. Mas com responsabilidade social. Criamos o Bolsa do Povo, o Vale Gás, o Alimento Solidário, o Corujão da Saúde e implantamos 1.878 escolas de Tempo Integral, com ensino digital, 8 horas de aulas/dia, 5 refeições, computadores, tablets, wi-fi e ensino de inglês para 1 milhão de alunos. E vamos fazer ainda mais. Isto é respeito pelo futuro das novas gerações.

Nosso projeto de país baseia-se na pacificação nacional e em pilares sólidos: proteção aos mais vulneráveis, geração de empregos e distribuição de renda; educação em tempo integral e ensino técnico de qualidade; crescimento sustentável com equilíbrio das contas públicas; reformas que favoreçam o ambiente de negócios e a atração de investimentos; preservação do meio ambiente e integração com o agronegócio. E compromisso inarredável com a democracia e liberdade de expressão. Vamos fortalecer o pacto federativo, com autonomia para estados e municípios. E, acima de tudo, investir no equilíbrio e harmonia entre os Poderes, como valor inatacável ao Estado Democrático de Direito. Trabalharemos por um Brasil mais digno e justo, que recupere seu prestígio internacional e atue na vanguarda do processo civilizatório. Vamos resgatar o orgulho de sermos brasileiros e dos nossos valores.

Acredito no PSDB, o partido do Plano Real e da Vacina, e acredito no Brasil. No PSDB da vitória. Unidos venceremos a corrupção e a incompetência. Venceremos as trevas e o negacionismo. Vamos juntos unir o Brasil e os brasileiros.


João Doria

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