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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Na presença de Bolsonaro, FAB toca música de compositor exaltado por Hitler

Bolsonaro assiste a concerto da orquestra da FAB - reprodução/redes sociais
Bolsonaro assiste a concerto da orquestra da FAB Imagem: reprodução/redes sociais
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

29/11/2021 23h30

Fora da agenda, o presidente Jair Bolsonaro resolveu prestigiar na noite desta segunda-feira (29) o Concerto de Estreia da Orquestra Sinfônica da FAB (Força Aérea Brasileira) em Brasília.

Ao lado do ministro da Defesa, general Braga Neto, e do comandante da Aeronáutica, tenente-Brigadeiro do Ar Carlos de Almeida Baptista Junior, e de outras autoridades, Bolsonaro assistiu à banda de militares tocar durante mais de dez minutos a ópera "Os Mestres-Cantores de Nuremberg", de compositor alemão Richard Wagner, que tinha Adolf Hitler como um de seus maiores fãs.

A composição completa de "Os Mestres-Cantores de Nuremberg" possui quatro horas de duração e é apontada como uma das favoritas dos nazistas.

Richard Wagner (1813-1883) pertencia ao grupo conservador dos "nacionalistas alemães" e é conhecido por seu forte antissemitismo (aversão aos judeus).

Trilha de uma demissão

Foi uma música de Richard Wagner que o ex-secretário de Cultura Roberto Alvim escolheu para o polêmico vídeo em que parafraseou o discurso da propaganda da Alemanha nazista e acabou sendo demitido.

Na época, em janeiro do ano passado, Bolsonaro divulgou uma nota oficial em que definiu a fala do então secretário como "infeliz" e afirmou repúdio às ideologias totalitárias.

A FAB foi questionada sobre o responsável pelo repertório e os critérios de escolha da música do compositor alemão para o concerto de hoje, mas ainda não se manifestou.