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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Exército inicia planejamento para eleição e calcula uso de 20 mil militares

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

11/02/2022 04h00Atualizada em 11/02/2022 09h43

Ao menos 20 mil militares do Exército devem ser preparados para atuar nas eleições de 2022, em outubro. A oito meses do pleito, as primeiras reuniões de planejamento para o emprego do efetivo já começaram a acontecer no Comando de Operações Terrestres (Coter), que fica em Brasília.

As reuniões contam com dados e informações oriundas dos Comandos Militares de Área, que são espalhados pelo país.

No planejamento, há variação de alguns cenários, mas a base utilizada para organizar o trabalho leva em conta o que foi realizado nos pleitos anteriores.

O cálculo feito nas primeiras conversas é de que será necessário um efetivo de cerca de 20 mil fardados, que representa um pouco menos do que 10% do efetivo de 213 mil. Levando em conta a atuação das demais forças — Marinha e Aeronáutica — o efetivo estimado para o pleito de outubro, no momento, é de 30 mil militares. O número é similar ao que foi empregado em 2018.

O que define o número exato de militares que atuarão nas eleições são as solicitações feitas pelo TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) e pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

As Forças Armadas atuam no processo eleitoral no que é denominado GVA (Garantia de Votação e Apuração). Dentro da GVA, estão as famosas GLOs (Garantia da Lei e da Ordem) usadas principalmente para proteger os locais de votação e de armazenamento das urnas.

Parte dos militares também são destacados para as operações logísticas, como o transporte de urnas até os locais de votação. Essa operação é mais comum em regiões como a Amazônia, que carece de barcos ou aeronaves para que os municípios isolados recebam a urna eletrônica.

O planejamento inicial do Exército prevê que cerca de 500 municípios irão demandar GLOs e pelo menos cem cidades precisarão de apoio logístico.

Há cenário de caos social, mas com baixa probabilidade

Alguns militares ouvidos pela coluna tentaram minimizar o receio de que situações como a invasão do Capitólio após a derrota de Donald Trump se repitam no Brasil.

Apesar disso, reconhecem que o atual cenário de polarização política pode se acirrar no decorrer do ano.

Afirmam que, por isso, farão um acompanhamento constante de movimentos políticos que podem alterar os cálculos tanto do efetivo, como de equipamentos, veículos e armamentos que precisarão ser empregados.

A hipótese de um ambiente de caos social, segundo fontes, deve ser contemplada nos planejamentos estratégicos, mas o histórico existente aponta para a baixa incidência de problemas graves nos processos eleitorais do Brasil.

Segundo um militar de alta patente, hoje os indicativos são de normalidade e não há informativos que indiquem para um cenário de confrontos generalizados.

Bolsonaro volta a questionar a segurança das urnas

Nesta quinta-feira (10), durante sua live semanal, o presidente Bolsonaro voltou a questionar a segurança das urnas eletrônicas no país e destacou o papel dos militares durante as eleições.

Segundo Bolsonaro, o ministro da Defesa, general Walter Souza Braga Netto, já teria comunicado ao TSE que a área de inteligência cibernética das Forças Armadas teria identificado vulnerabilidades nas urnas. O objetivo, segundo o presidente, seria "ajudar o TSE".

"Foram levantadas várias, dezenas de vulnerabilidades. Foi oficiado ao TSE para que pudesse responder às Forças Armadas, porque afinal de contas pode ser que o TSE esteja com a razão, pode ser, por quê não? Passou o prazo que a administração diz, 30 dias, ficou um silêncio. Foi reiterado. O prazo se esgotou no dia de hoje (ontem). Isso está na mão do ministro Braga Netto tratar desse assunto", disse o presidente.

Braga Netto é atualmente um dos favoritos para compor a chapa eleitoral com Bolsonaro. Segundo o presidente, o ministro da Defesa deve procurar o presidente do TSE para entender a demora da resposta do órgão.

"O que nós queremos, e tenho certeza que o TSE também quer, tenho certeza disso, são eleições limpas, transparentes e realmente eleições que possam ser auditadas. É o mínimo que se espera de um processo eleitoral, porque ninguém acredita em pesquisa", afirmou o presidente.

Com a urna eletrônica, nunca houve fraude comprovada nas eleições brasileiras, nem denúncias consideradas relevantes. Essa constatação foi feita não apenas por auditorias realizadas pelo TSE, mas também por investigações do MPE (Ministério Público Eleitoral) e por estudos matemáticos e estatísticos independentes. Além disso, há outros elementos hoje no Brasil que reforçam os resultados de eleições, como pesquisas de intenção de voto e de boca de urna.