É culpa do estagiário? Papel do jovem no mercado mudou, dizem especialistas

Ricardo Marchesan

Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação

    Laila Jacob, que passou pelo estágio na TIM

    Laila Jacob, que passou pelo estágio na TIM

Laila Jacob, 22, virou estagiária da TIM no final de 2013, quando estava no quarto período da faculdade de administração, no Rio de Janeiro. Ao longo do estágio, trabalhando com RH, ela diz que assumiu todo o processo de recrutamento dos consultores de vendas da sua regional.

Graças ao bom desempenho, há dois meses ela foi promovida a analista de recrutamento e efetivada na empresa de telefonia. Agora, é responsável justamente pelo programa de estágio da companhia. Tudo isso antes mesmo de se formar na faculdade --o que vai acontecer no final deste ano.

Estagiários são muito desafiados em grandes empresas atualmente, a começar pela concorrência pesada para entrar no programa. Segundo a TIM, na última edição foram 37 mil inscritos e uma relação de 205 candidatos por vaga. 

Porém, os estudantes continuam sendo rotulados no mercado. "Infelizmente, sim. Em muitas empresas o papel do estagiário é esse: trazer cafezinho e tirar cópia. Sem contar a famosa frase de toda a culpa cair sempre sobre o estagiário", conta Laila, que diz não ter vivido esse tipo de experiência.

Culpar estagiário era comum no passado

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No passado, era mais comum no mercado de trabalho culpar o estagiário, mas isso tem mudado, segundo o gerente de recrutamento da companhia aérea TAM, Luiz Alberto Franco Bueno.

"Era uma forma de atenuar o problema da área ou departamento, pois quem errou era uma pessoa iniciante e não deveria ser penalizada pela falha. Estava ali para aprender. Hoje em dia, os estagiários são requisitados por todos os departamentos porque, muito além de aprender, eles irão contribuir para o crescimento da empresa."

Um dos fatores que ajudou nessa mudança foi a lei do estágio, que entrou em vigor em 2008 e criou regras para a atividade, segundo a diretora da empresa de RH Kelly, Valéria Andrade.

"Hoje são pessoas mais qualificadas, que não vão aceitar qualquer tipo de trabalho. Eles chegam com um nível de crítica muito maior. Querem saber se a empresa está engajada em projetos sociais, se terá a possibilidade de crescer", diz. "Se só der trabalho administrativo, ele não vai ficar."

Para especialistas, não aproveitar talento é desperdício

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Colocar os estagiários em atividades menores seria um desperdício de talento, tempo e dinheiro, segundo Danielle Arraes, diretora de aquisição de talentos da Johnson & Johnson, multinacional fabricante de produtos de higiene pessoal.

Bueno, da área de recrutamento da TAM, concorda. "Hoje, o seu trabalho é visto como relevante. É importante a sua contribuição e participação em projetos no departamento em que atua", afirma. "Seria um desperdício para o mercado de trabalho, portanto, não aproveitar a capacidade criativa e transformadora desses jovens".

Se o programa de estágio for bem estruturado e o estagiário souber aproveitá-lo, pode até ter o mesmo desempenho de um profissional efetivado, segundo os especialistas.

O que empresas buscam em um estagiário

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Recrutadores estão mais atentos a comportamento e atitudes, e menos em habilidades técnicas ou experiência. "Algumas competências fazem a diferença: iniciativa, proatividade, resiliência, adaptação à mudança, flexibilidade para adquirir experiências novas e seu relacionamento interpessoal", diz a consultora Valéria Andrade.

Danielle Arraes concorda. "No processo, buscamos o perfil de quem tenha brilho no olho, engajamento e atitude diferenciada."

Estagiário deve errar

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Apesar da competitividade e dos desafios na trajetória do estagiário, e mesmo com a mudança do seu papel no mercado de trabalho, Danielle Arraes diz que o período é importante, também, para errar.

"Isso é normal. Muitas vezes, o que o estudante vê na universidade é bastante acadêmico. O estágio é uma ponte para aplicar esses conhecimentos no ambiente profissional", diz.

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