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Empregos e carreiras

Quer trabalhar com games? Profissão exige mais do que gostar de jogar

Marcelo Justo/UOL
Imagem: Marcelo Justo/UOL

Natalia Gómez

Colaboração para o UOL, em Maringá (PR)

08/12/2018 04h00

Os jogos digitais, ou games, caíram no gosto dos brasileiros. O país tem 75,7 milhões de entusiastas e é o 13º maior mercado do mundo, segundo dados da consultoria Newzoo. A área movimenta anualmente US$ 1,5 bilhão no Brasil, segundo a empresa. Isso significa que há um bom mercado de trabalho para desenvolvedores de games.

Embora haja faculdades de jogos pelo país, atualmente faltam profissionais qualificados no mercado, segundo a Abragames, associação que representa o setor. "Hoje existem vagas em aberto, mas as empresas não conseguem contratar porque procuram pessoas mais experientes", afirmou Fernando Chamis, diretor da entidade.

Para conseguir uma vaga, não basta gostar de jogar. É importante ter feito pelo menos um jogo digital antes de entrar para uma equipe de programadores.

Nunca fez um game? Como começar

O diretor da Abragames recomenda que o candidato faça um jogo sozinho antes de procurar uma vaga. "Há muita ferramenta gratuita e muito curso online", disse. Outra alternativa é participar de uma "game jam", reunião presencial ou online de desenvolvedores que tem como objetivo criar um jogo em um curto espaço de tempo.

A primeira pergunta que será feita em uma entrevista de emprego, segundo Chamis, será o que a pessoa já fez na área anteriormente.

Você não precisa ter trabalhado em outro lugar, mas precisa ter feito um jogo sozinho ou em uma game jam
Fernando Chamis, diretor da Abragames

O mais importante é que o jogo seja divertido, mesmo que visualmente deixe a desejar, segundo Rodrigo Scharnberg, produtor da Rockhead Games, estúdio do jogo mobile Starlit Adventures.

Se você quer saber como se faz um jogo, a melhor forma é fazendo. Tem que sentar em uma 'game jam' e fazer um game
Rodrigo Scharnberg, produtor da Rockhead Games

Além dessa experiência prévia, as empresas buscam profissionais capazes de dialogar, receber críticas e trabalhar em equipe, perfil distante do estereótipo do "programador introvertido". Falar inglês também é um pré-requisito.

Qual é a formação recomendada?

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A oferta de cursos universitários na área de jogos cresceu no Brasil nos últimos anos, mas esse não é o único caminho para quem deseja atuar como desenvolvedor de games.

Outras graduações, como engenharia ou ciência da computação, também são boas alternativas para quem quer ser programador no mercado de jogos, segundo Chamis. Aqueles que sonham em trabalhar na área de arte para jogos podem estudar design ou arquitetura. 

A faculdade de jogos é ideal para quem ainda não sabe exatamente em qual área da indústria de jogos deseja trabalhar, pois a faculdade dá um apanhado geral do setor”
Fernando Chamis, diretor da Abragames

O produtor da Rockhead foi o primeiro aluno formado em Jogos Digitais pela Unisinos, em 2007. Mesmo assim, ele disse que a graduação em jogos nem sempre é a melhor opção para quem deseja trabalhar na área.

Eu recomendaria a faculdade de jogos para quem ainda está mais perdido. Quem sabe que quer ser artista ou programador pode fazer curso de design e ciência da computação, respectivamente
Rodrigo Scharnberg, produtor da Rockhead Games

Também é possível trabalhar na área sem ter nenhuma formação universitária, desde que a pessoa conheça as melhores práticas e tenha o conhecimento necessário, já que o sucesso depende mais da capacidade que da formação, segundo Scharnberg. 

Empresas pequenas, salários até R$ 4.000

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Apesar do grande volume de dinheiro movimentado no mercado de games no país, ele representa a soma total de todos os jogos comprados no país, inclusive jogos estrangeiros. Isso significa que a indústria local tem apenas uma parcela do US$ 1,5 bilhão anual do Brasil. O número exato é desconhecido.

Na prática, isso significa que muitas empresas brasileiras de jogos são de pequeno e médio porte, e os salários são baixos em comparação aos de outros mercados. Na Rockhead, por exemplo, a remuneração é de até R$ 4.000 por mês.

Em geral, são pequenas empresas, com produtos que podem ou não ter sucesso. E, enquanto isso, os sócios e empregados são sub-remunerados
Luiz Ojima Sakuda, coordenador do 2º Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais

A pesquisa, feito pelo Ministério da Cultura, mostrou que a grande maioria das empresas formalizadas do ramo fatura até R$ 360 mil ao ano.

Apesar dos desafios, o mercado local está crescendo. Segundo o levantamento, houve um aumento de 140% no número de trabalhadores em comparação com 2013, somando 2.700 profissionais em 258 desenvolvedoras que participaram da pesquisa.

A maioria das empresas atua nas regiões Sudeste e Sul, principalmente em São Paulo (31,5% do total), Rio de Janeiro (10,7%), Minas Gerais (8,5%), Paraná (8%) e Rio Grande do Sul (6,9%).

Mulheres jogam, mas não trabalham na área

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As mulheres têm uma participação expressiva como jogadoras, segundo a pesquisa da consultoria Newzoo. De acordo com a consultoria, 51% das brasileiras conectadas à internet joga jogos de celular ao menos uma vez por mês, participação semelhante à dos homens (50%). Os jogos de console atraem 37% dos homens e 30% das mulheres. Já os jogos de PC são acessados por 44% dos homens e 38% das mulheres.

Ainda assim, o mercado de trabalho com games continua a ser prioritariamente masculino, com apenas 20% de mulheres no total de trabalhadores. Esse número já foi mais baixo: 15%, em 2013.

Apesar do avanço, o 2º Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais apontou que a maior concentração feminina no mercado de jogos se dá em áreas como marketing e vendas, administrativo, financeiro, artes e design. A área com menor participação feminina é a de programação e gestão de projetos, com apenas 10% de mulheres.

A desenvolvedora Daiane Santos, 23, faz parte desse seleto grupo e conta que conhece poucas mulheres que atuam na área. "Vejo muitas meninas que jogam, mas, na área de desenvolvimento, ainda são poucas", afirmou a profissional, que mora em Londrina (PR).

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