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Radicalização causa bullying no trabalho por causa de política, diz estudo

Colaboração para o UOL, em Curitiba

09/08/2019 04h00

A polarização política ganhou espaço no ambiente de trabalho e causa bullying. É o que mostra o levantamento "A Diversidade e Inclusão nas Organizações no Brasil", feito pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje).

Segundo o estudo, 17% dos entrevistados dizem ter presenciado, nos últimos 12 meses, bullying no trabalho por causa de ideologia, e 3,7% sofreram diretamente pela mesma razão.

Veja alguns dados do levantamento (a soma não dá 100%: há outros fatores, e cada entrevistado pode citar mais de um):

  • 269 profissionais foram entrevistados
  • 81 afirmam ter presenciado bullying em geral (30%)
  • 45 dizem ter presenciado bullying político (17%)
  • 27 dizem ter sofrido bullying em geral (10%)
  • 10 dizem ter sofrido bullying político (3,7%)

O levantamento foi feito entre abril e maio deste ano. Participaram funcionários de empresas privadas (nacionais e multinacionais), entidades do terceiro setor e empresas mistas e públicas que, juntas, faturaram R$ 1,24 trilhão em 2018, o equivalente a 18,3% do PIB (Produto Interno Bruto) daquele ano

Empresas precisam se preparar para essa realidade

Segundo o diretor-presidente da Aberje, Paulo Nassar, os dados refletem o cenário atual do país. Segundo ele, a política faz cada vez mais parte do cotidiano das pessoas e, como as empresas são uma extensão da sociedade, era de se esperar que o assunto chegasse ao ambiente corporativo.

"As empresas, portanto, precisam começar a pensar também nessa questão, que afeta toda a população. As áreas de comunicação e relacionamento, nesse cenário, são fundamentais para criar diálogos e resolver as diferenças por meio da razão", declarou.

O estudo não tem a precisão de uma pesquisa científica porque foi feito online, o que não garante amostragem estatística correta. Num questionário online, responde quem quiser. Numa pesquisa tradicional, o público-alvo é ouvido diretamente, para garantir proporcionalidade (localização, gênero, idade, setores de empresas). Mesmo assim, o levantamento indica tendências que estão ocorrendo.

Segundo Nassar, apesar de a pesquisa ter ouvido poucos funcionários e empresas, ela é representativa e abrangente. Isso porque, disse ele, as companhias analisadas faturaram R$ 1,24 trilhão em 2018, o equivalente a 18,3% do PIB daquele ano. "É um estudo focado no ambiente corporativo dessas grandes companhias. Esse é nosso contexto", afirmou.

Líderes têm papel fundamental na diversidade

Para Fabrício César Bastos, professor do curso de administração da PUC-SP e sócio-diretor da consultoria Flõwan, a diversidade está ganhando cada vez mais espaço nas organizações brasileiras, mas algumas ainda estão engatinhando no tema.

Segundo ele, para fortalecer o tema, a inclusão precisa estar presente na cultura das empresas e na liderança.

"Se a diversidade for apenas um discurso vazio e não estiver impregnado na cultura, ela pode começar como ação de marketing e não se sustentar em longo prazo. A organização tem que viver diariamente a ideia de colaboração", afirmou.

(Reportagem: Lucas Gabriel Marins; edição: Armando Pereira Filho)

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