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Eles conseguiram emprego na pandemia após posts viralizarem no LinkedIn

O técnico administrativo Wellington Failla, 30, e o estudante de jornalismo Jonathan Sousa, 22 - Reprodução
O técnico administrativo Wellington Failla, 30, e o estudante de jornalismo Jonathan Sousa, 22 Imagem: Reprodução

Renan Prates

Colaboração para o UOL, em São Paulo

24/06/2020 04h00Atualizada em 24/06/2020 15h05

Eles moram em cidades diferentes, mas estão conectados por uma mesma história vivida no LinkedIn em tempos de pandemia do coronavírus. O técnico administrativo Wellington Failla, 30, abriu o seu coração em uma postagem na rede social e conseguiu um emprego após o post ter viralizado. A atitude do profissional inspirou o estudante de jornalismo Jonathan Sousa, 22, a repetir o gesto —e ter o mesmo objetivo alcançado.

"Eu vi a foto dele com a mochila nas costas falando da correria dele, e eu já tinha tirado aquela foto no [supermercado] St Marche. Então, eu falei: será que com a foto, contando um pouco da minha história, realmente o que eu estou passando nesse momento, eu consiga chamar a atenção das pessoas, e acabe aparecendo a minha oportunidade? Foi basicamente assim que aconteceu", contou o estudante.

O estudante colocou uma foto do seu trabalho como atendente júnior em uma rede de supermercados e disse sonhar com uma oportunidade no jornalismo —ele cursa o último ano de faculdade. O post de Jonathan no LinkedIn teve mais de 30 mil interações e 1.000 comentários.

A história de Jonathan é incomum. Ele conseguiu dois empregos. Primeiro, começou a trabalhar como estagiário de jornalismo em uma agência de publicidade. Uma semana depois, soube que foi aprovado em outro processo seletivo e tornou-se estagiário do núcleo de jornalismo investigativo da TV Record.

"Infelizmente nós perdemos um grande profissional, repleto de histórias, divertido, humilde, de caráter inquestionável e que nos ensinou muito ao longo dos poucos dias em que esteve na agência", escreveu a agência de publicidade na rede social.

Jonathan é o mais velho de quatro irmãos. Ele mora com eles, a sobrinha, o pai e a mãe em uma casa no bairro de Paraisópolis, zona sul de São Paulo. O valor que receberá com o seu estágio —pouco mais de um salário mínimo— vai ajudar a pagar as contas da casa. "Vou continuar ajudando, sem dúvida, na alimentação, pagamento das contas e tudo mais, porque, infelizmente, registrado só meu pai. Tem a minha mãe que é diarista, mas não é sempre, algumas vezes no mês. Poucas vezes, na verdade".

Post que inspirou Jonathan

Separado por pouco mais de 100 km de distância de Jonathan, Wellington, morador da cidade de Hortolândia (SP), também contrariou as estatísticas de desemprego crescentes no Brasil e conseguiu uma vaga após um post que viralizou no LinkedIn.

Formado em administração, Wellington começou a trabalhar em janeiro de 2020 em uma assessoria contábil em Campinas. No fim do período de testes, foi comunicado que, como consequência da pandemia do coronavirus, não teria seu contrato prorrogado. Ele havia acabado de se tornar pai e sua mulher ainda estava de licença maternidade da escola onde trabalhava. Para piorar, eles não haviam conseguido o auxílio emergencial de R$ 600.

Sem opções na sua área de trabalho, Wellington decidiu usar a sua moto para trabalhar como entregador. "Foi a necessidade de prover e ajudar com alimento aqui em casa, e também conseguir comprar o leite da minha filha", disse ao UOL.

"Uma colega nossa, madrinha de casamento, me chamou para fazer entregas, comprar materiais para máscara. Aí eu comecei a trabalhar com isso. Usei a minha moto para fazer esse tipo de serviço. Logo depois, surgiram umas entregas de pizza para substituir um amigo meu que estava de férias". Conseguia tirar de R$ 120 a R$ 150 por semana.

Teve a ideia de escrever uma mensagem positiva no LinkedIn, e conseguiu mais de 125 mil interações e 3.600 comentários. "Fiquei pensando no que eu poderia contribuir para que as pessoas não desanimem", disse o analista.

Após a postagem viralizar, Wellington ganhou livros, curso de analista fiscal, seguro de vida como entregador, e uma oferta de emprego como técnico administrativo na Ambev. "Tive a felicidade de receber um sim. Acredito que foi o sim mais feliz da minha vida. Depois do sim do casamento (risos)".

A empresa usou a mesma rede social para comentar a contratação.

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