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Empregos e carreiras

Criação de emprego com carteira no país é a melhor para setembro em 29 anos

Lidianne Andrade/MyPhoto Press/Estadão Conteúdo
Imagem: Lidianne Andrade/MyPhoto Press/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

29/10/2020 16h08Atualizada em 29/10/2020 21h34

O Brasil abriu 313.564 vagas de emprego com carteira assinada em setembro, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados hoje pelo Ministério da Economia. É o terceiro mês seguido de saldo positivo e o melhor resultado para um mês de setembro em 29 anos, desde 1992, quando foi iniciado o levantamento.

Em 2020, porém, o balanço ainda é negativo: nos nove primeiros meses do ano, foram perdidos 558.597 empregos, em meio à crise causada pela pandemia de coronavírus.

Os números de setembro são resultado de 1.379.509 contratações e 1.065.945 demissões. Com isso, o total de empregos com carteira no Brasil chegou a 38.251.026, o que representa aumento de 0,83% em relação a agosto. Na comparação com janeiro (38.923.831), porém, o total de empregos caiu 1,73%.

Os dados do Caged consideram apenas vagas com carteira assinada. Há uma outra pesquisa, feita pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que é mais ampla, levando em conta empregos informais. Segundo o dado mais recente dessa pesquisa, o desemprego bateu recorde no Brasil em setembro, com 13,5 milhões de desocupados e uma taxa de desemprego de 14%.

Segundo o pesquisador Daniel Duque, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o aumento de vagas com carteira assinada nos últimos pode não ser tão bom quanto parece. Para ele, o número está muito diferente de outras pesquisas sobre trabalho, realizadas pelo IBGE. Também há divergências com dados de seguro-desemprego. O pesquisador diz que os números sobre demissões podem não ter sido enviados pelas empresas ao governo.

Governo comemora resultado

O ministro da Economia, Paulo Guedes, comemorou os resultados do Caged, que, segundo ele, confirmam a volta da economia em "V", ou seja, com recuperação rápida, após uma queda abrupta.

"Com a pior pandemia da história, o maior impacto que o país já sofreu, o acumulado de perda de empregos em 2020 é menor do que nos dois anos de queda de PIB [Produto Interno Bruto]", comparou, fazendo referência aos anos de 2015 e 2016, quando o Brasil esteve em recessão econômica.

Setores

Os cinco setores de atividade econômica tiveram saldo positivo em setembro. Impulsionado pela Indústria de Transformação, o setor econômico da Indústria liderou a geração de empregos formais, com saldo positivo de 110.868 empregos com carteira assinada.

Depois, vieram os setores de Serviços, com 80.481, e Comércio, que registrou 69.239 novas vagas. Completam a lista a Construção (+45.249) e a Agropecuária (+7.751).

Modalidades

O mês de agosto registrou 15.479 contratações e 8.844 demissões na modalidade de trabalho intermitente, gerando saldo de 6.635 empregos formais. Ao todo, 180 empregados assinaram mais de um contrato na condição de trabalhador intermitente.

Já a jornada em regime de tempo parcial teve saldo negativo de -372 vagas no mês, resultado de 12.603 admissões e 12.975 desligamentos. Nesta modalidade, 56 trabalhadores celebraram mais de um contrato.

Regiões e estados

Todas as cinco regiões do país tiveram resultado positivo em setembro. Em números absolutos, o melhor saldo é do Sudeste, com a criação de 128.094 (aumento de 0,65%) postos de trabalho, mas a maior variação relativa coube ao Nordeste, com crescimento de 1,38% — ou 85.336 novas vagas de emprego com carteira assinada.

O Norte teve saldo positivo de 20.640 postos (+1,15%); o Sul, de 60.319 (+0,85%); e o Centro-Oeste, de 19.194 (+0,59%).

Entre os estados, São Paulo, com 75.706 novas vagas (+0,64%), Minas Gerais, com 36.505 (+0,91%), e Santa Catarina, com 24.827 (+1,21%), tiveram o maior saldo positivo. Já o melhor desempenho em comparação ao mês anterior ficou com Alagoas (+16.592 empregos, +5,04%), Roraima (+1.101, +1,98%); e Pernambuco (+21.801, +1,83%).

Nenhum estado terminou o mês com saldo negativo.

Influência do BEm

O governo atribui o resultado positivo dos últimos três meses ao BEm (Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda), que prevê o pagamento de um benefício mensal a trabalhadores que tiveram seu contrato suspenso ou jornada e salário reduzidos.

Segundo dados atualizados até 23 de outubro, o BEm permitiu mais de 19 milhões de acordos entre empregados e empregadores no Brasil. Até o momento, o programa pagou R$ 26,1 bilhões.

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