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Brasil tem desemprego de 11,2% no trimestre até fevereiro, aponta IBGE

O número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado foi de 34,6 milhões de pessoas - Getty Images/iStockphoto/FG Trade
O número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado foi de 34,6 milhões de pessoas Imagem: Getty Images/iStockphoto/FG Trade

Do UOL, em São Paulo

31/03/2022 09h08Atualizada em 31/03/2022 10h07

A taxa de desemprego no Brasil recuou para 11,2% no trimestre móvel de dezembro de 2021 a fevereiro deste ano. É a menor taxa para um trimestre encerrado em fevereiro desde 2016, mas o país ainda soma 12 milhões de desempregados. A renda média caiu 8,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os dados são da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgada hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A mediana das previsões em pesquisa da Reuters era de que a taxa ficaria em 11,4% no período.

Desocupação

A taxa de desocupação recuou 0,4 ponto percentual na comparação ao trimestre anterior — de setembro a novembro —, quando era de 11,6%. Em relação ao mesmo período do ano anterior, quando chegou a 14,6%, o recuo foi de 3,4 pontos percentuais.

No trimestre encerrado em janeiro, a taxa também havia ficado em 11,2%, atingindo 12 milhões de brasileiros.

A população desocupada recuou 3,1% (menos 389 mil pessoas) frente ao trimestre anterior (12,4 milhões de pessoas) e 19,5% (menos 2,9 milhões de pessoas desocupadas) em relação ao mesmo período do ano anterior (14,9 milhões de pessoas).

Segundo a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy, a retração na taxa de desemprego reflete a tendência de queda observada nos últimos trimestres.

"No trimestre encerrado em fevereiro, houve retração da população que buscava trabalho, o que já vinha acontecendo em trimestres anteriores. A diferença é que nesse trimestre não se observou um crescimento significativo da população ocupada", afirmou

O número de ocupados foi estimado em 95,2 milhões, estável frente ao trimestre anterior, mas com alta de 9,1% (7,9 milhões de pessoas) ante o mesmo período do ano anterior.

Também houve estabilidade no nível da ocupação — percentual de pessoas em idade de trabalhar que estavam efetivamente ocupadas na semana de referência da pesquisa — (55,2%).

Rendimento é o menor da série histórica

O IBGE apontou que o rendimento médio real foi estimado em R$ 2.511, o que representa estabilidade frente ao trimestre anterior, mas queda de 8,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Trata-se do menor resultado já registrado em um trimestre encerrado em fevereiro desde o início da série histórica da pesquisa, em 2012.

"Nos trimestres anteriores, o rendimento médio estava em queda. A estabilidade desse trimestre pode estar relacionada à diminuição no número de trabalhadores informais, que têm menores rendimentos, e ao aumento de trabalhadores com carteira assinada no setor privado", explicou a pesquisadora.

Informalidade e desalento

A taxa de informalidade foi de 40,2% da população ocupada, ou 38,3 milhões de trabalhadores informais. No trimestre anterior, a taxa havia sido de 40,6% e, no mesmo trimestre do ano anterior, 39,1%.

Já a população desalentada — aquela que desistiu de procurar trabalho — foi de 4,7 milhões de pessoas, mantendo-se estável em relação ao trimestre anterior e com queda de 20,2% (menos 1,2 milhões de pessoas) na comparação anual.

Subutilização

A taxa composta de subutilização (23,5%) caiu 1,5 ponto percentual em relação ao trimestre de setembro a novembro (25%) e 5,7 pontos percentuais na comparação com o trimestre encerrado em fevereiro de 2021 (29,2%).

A taxa composta inclui a taxa de desocupação, a taxa de subocupação por insuficiência de horas e a taxa da força de trabalho potencial, pessoas que não estão em busca de emprego, mas que estariam disponíveis para trabalhar.

A população subutilizada (27,3 milhões de pessoas) teve queda de 6,3% (menos 1,8 milhão) frente ao trimestre anterior (29,1 milhões) e de 17,8% (menos 5,9 milhões) na comparação anual (33,1 milhões).

Número de empregados com carteira sobe 1,1%

O número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado foi de 34,6 milhões de pessoas, subindo 1,1% (371 mil pessoas) frente ao trimestre anterior e 9,4% (mais 3 milhões de pessoas) na comparação anual.

O número de empregados sem carteira assinada no setor privado (12,3 milhões de pessoas) apresentou estabilidade em relação ao trimestre anterior e teve alta 18,5% (1,9 milhão de pessoas) no ano.

Sobre a pesquisa

A PNAD Contínua é o principal instrumento para monitoramento da força de trabalho no país. A amostra da pesquisa por trimestre no Brasil corresponde a 211 mil domicílios pesquisados. Cerca de dois mil entrevistadores trabalham na pesquisa, em 26 estados e Distrito Federal.

Em função da pandemia de covid-19, o IBGE implementou a coleta de informações da pesquisa por telefone a partir de 17 de março de 2020. Em julho de 2021, houve a volta da coleta de forma presencial.

* Com Reuters e Estadão Conteúdo

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