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Apetite global por chocolate reduz projeção de excesso de cacau

Isis Almeida

O mundo não consegue saciar sua fome de chocolate.

A "enorme" demanda nos mercados emergentes deve continuar nesta temporada, e o terceiro maior processador de cacau do mundo projeta uma forte redução do superávit global. A oferta excedente de cacau, que atingiu um recorde na temporada passada, provavelmente cairá para cerca de 50.000 toneladas métricas, disse Gerry Manley, diretor de cacau da Olam International.

A demanda aumentou particularmente na Ásia, onde países como Filipinas, Indonésia, Índia e China estão consumindo mais cacau em pó, usado em produtos como biscoitos e sorvete, disse Manley. E, embora os agricultores na África Ocidental talvez tenham safras excepcionais pelo segundo ano consecutivo, é pouco provável que o maior produtor, a Costa do Marfim, repita a safra recorde da temporada passada.

"Estamos muito otimistas com a demanda", disse Manley, em entrevista no escritório da empresa, em Londres, na quinta-feira. "Estamos observando uma demanda boa por cacau em pó em todo o mundo, mas os mercados emergentes estão à frente."

Os futuros de referência do cacau em Londres caíram 23% no ano passado, o maior declínio desde 2011, porque a produção bateu um recorde na Costa do Marfim e Gana, o segundo maior produtor, também colheu uma safra grande. As safras abundantes na África ajudaram a elevar o superávit global a 371 mil toneladas, segundo estimativas da International Cocoa Organization, com sede em Abidjan.

Nesta temporada, o processamento global de cacau provavelmente aumentará mais de 3%, disse Manley, que acrescentou que esta projeção é conservadora. O processamento cresceu mais de 5% em 2016-2017. Cerca de 8.000 produtos novos foram lançados no mercado de confeitaria no ano passado, disse Manley.

Os custos mais baixos estão estimulando a demanda e o mercado global de doces de chocolate se expandiu 2,3% no período de três meses terminado em junho e 2,2% no trimestre seguinte, afirmou o maior processador de cacau do mundo, a Barry Callebaut, neste mês, citando dados da empresa de análise Nielsen. A recuperação chegou após pelo menos seis trimestres consecutivos de contrações.

Especulação

O segundo ano consecutivo de superávit provavelmente manterá os preços do cacau atrelados a uma faixa, porém eventos macroeconômicos poderiam obrigar os especuladores a cobrir suas posições vendidas. Especuladores vêm apostando que os preços do cacau cairão em Londres há mais de um ano, mostram dados da bolsa ICE Futures Europe.

"Desde o começo de 2017, observamos uma correlação muito mais forte entre as posições vendidas brutas no cacau e no complexo agrícola geral, especialmente nas commodities agrícolas", disse Charles Leslie, trader da Olam em Londres, na mesma entrevista. "Há uma influência macroeconômica muito maior sobre o cacau, e ela é provavelmente o maior risco para a alta."

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