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Canadá aposta em IA para construir fábrica de células-tronco

Natalie Wong

(Bloomberg) -- Meio século atrás, cientistas canadenses descobriram as células-tronco transplantáveis, que podem se transformar em qualquer tipo de tecido humano. Agora, um centro de pesquisa financiado com verba pública em Toronto quer criar uma fábrica parcialmente automatizada que produziria em massa esses blocos humanos para criar células de combate a doenças - um processo que atualmente é lento e exige muita mão de obra.

O Centro para a Comercialização de Medicina Regenerativa (CCRM, em inglês) de Toronto pretende liderar a iniciativa que, segundo projeções, levará vários anos porque a comercialização em grande escala exigirá novas tecnologias e automatização. O CCRM e a divisão de saúde da General Electric criaram um laboratório em Toronto para desenvolver a tecnologia e os processos que poderiam ser usados na fábrica - mas a GE ainda não se comprometeu a ajudar na construção.

"Esta é a chance de o Canadá ter fabricas de células-tronco", diz o presidente do CCRM, Michael May, acrescentando que a tecnologia desenvolvida no laboratório poderia ser exportada internacionalmente. "Estamos reunindo todos os processos e equipamentos para criar um modelo de fabricação de células no futuro."

Oportunidade

O Canadá não é o único a ter essas ambições. Companhias farmacêuticas já construíram fábricas próprias de células-tronco, e países como o Japão também estão ávidos para fazer a mesma coisa. Mas o Canadá, que já é líder em inteligência artificial, está bem posicionado para repetir esse sucesso com as terapias celulares, que podem fazer coisas como ajudar o sistema imunológico a atacar um câncer ou fazer com que células defeituosas substituam proteínas insuficientes ou danificadas. Toronto, a cidade mais populosa do país, tem uma das maiores concentrações de hospitais e pesquisadores de biotecnologia do mundo. O setor de células-tronco do Canadá já atraiu centenas de milhões de dólares em capital de risco, como uma rodada de financiamento de US$ 225 milhões para a Blue Rock Therapeutics, uma startup de terapias celulares, feita pela Bayer, o colosso farmacêutico alemão, e pela Versant Ventures Management, com sede no Vale do Silício.

Como os laboratórios estão trabalhando em muitíssimos tratamentos, a demanda por células-tronco está crescendo rapidamente. São necessários bilhões de células só para os testes clínicos. Mas a fabricação de células-tronco é um processo laborioso, diz Aaron Dulgar-Tulloch, diretor da GE Healthcare que atualmente trabalha no laboratório do CCRM e da GE. Um técnico habilidoso deve colocar as células com cuidado em uma pequena tigela e alimentá-las, transferi-las para um ambiente especial com níveis ideais de temperatura e de oxigênio. Enquanto crescem, as células precisam ser constantemente monitoradas por sua sensibilidade à contaminação e porque elas podem parar de crescer se não forem tratadas com precisão em condições perfeitas.

"Esta é uma verdadeira oportunidade para que o Canadá se posicione e gere esse ecossistema enquanto o campo ainda está amadurecendo", diz Dulgar-Tulloch. "Nenhum país do mundo pode dizer que já dominou essa área e que é a região ideal para tratamentos celulares e medicina regenerativa porque esse campo é muito novo e ainda está em desenvolvimento."

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