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Dublin é mais útil que Londres nos preparativos para o Brexit

Robert Hutton

05/11/2018 11h52

(Bloomberg) -- Com a iminência da saída do Reino Unido da União Europeia, ministros estão pedindo que as empresas se preparem. Panfletos, um site e uma conta no Twitter informam o que elas devem fazer e há empréstimos disponíveis para ajudar. Tem até sacolas com o slogan do governo: "Preparar o Brexit".

Infelizmente para as empresas do Reino Unido, quem está fazendo tudo isso é o governo irlandês.

O governo britânico está fazendo muito menos. Não há sacolas, panfletos e nem mesmo um site específico. Na página inicial do site do governo, tem um link para uma página de orientação para cidadãos da UE no Reino Unido que inclui anúncios gerais - muitos sem uma conexão óbvia com o Brexit.

Na verdade, a Irlanda vem se preparando há mais tempo; sua primeira análise, no final de 2014, concluiu que se o Reino Unido saísse da UE, isso seria uma grande ameaça para a economia irlandesa. O governo do Reino Unido só começou a se preparar depois que os britânicos votaram pelo Brexit, em junho de 2016.

Também é mais difícil para o governo da primeira-ministra Theresa May dar conselhos sobre como se preparar, considerando que continua paralisado em negociações com a UE sobre as condições do divórcio. Se os ministros gerarem pânico em relação aos perigos da falta de acordo ou simplesmente de um Brexit ruim, eles correm o risco de reduzir as vantagens do governo nas negociações.

Mas a grande vantagem da Irlanda sobre o Reino Unido é ter uma opinião formada sobre o Brexit. Tendo decidido que se trata de um desastre em potencial, o país vem se preparando para isso. No Reino Unido, os legisladores da própria May estão divididos, e tem até uma parcela expressiva que pede que o Reino Unido abandone o bloco sem acordo.

"Claramente, não existe um posicionamento unificado no Partido Conservador sobre o que a falta de acordo realmente significa e como seria na prática", disse Joe Owen, diretor associado do think tank Institute for Government. "Por isso, assessorar as empresas é um desafio político - e, como resultado, há um limite para o quão útil eles podem ser."

O governo argumenta que interagiu com as empresas, apontando para eventos como o encontro entre May, o ministro das Finanças, Philip Hammond, e 130 líderes empresariais na quarta-feira. Também publicou mais de 100 dos chamados avisos técnicos sobre as implicações de um Brexit sem acordo "para que as empresas e os cidadãos tenham tempo para se preparar", afirmou em um comunicado.

Owen disse que isso mal cobre o básico.

"Há um grande envolvimento com nomes de maior porte, mas muito pouco foi feito em termos de envolvimento com empresas menores", disse ele. "Se você não for como a Nissan ou como o Porto de Dover, não há muito envolvimento."

As empresas menores são as que mais precisam de ajuda. De acordo com a Confederação da Indústria Britânica, o maior grupo do setor empresarial do Reino Unido, cerca de 180.000 empresas comerciais do Reino Unido não têm experiência de importação ou exportação fora da UE.

"Informações simples, claras e amplamente acessíveis são fundamentais", informou o grupo ao governo em setembro. O grupo pediu um site e uma linha direta para as empresas poderem fazer perguntas.

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