Governo japonês inspeciona escritórios da Mitsubishi por manipulação de dados

Em Tóquio

  • Kyodo/Reuters

    Funcionários do governo do Japão visitaram os escritórios da Mitsubishi Motors em Okazaki

    Funcionários do governo do Japão visitaram os escritórios da Mitsubishi Motors em Okazaki

Funcionários do Ministério dos Transportes do Japão visitaram nesta quinta-feira (21) os escritórios de desenvolvimento da Mitsubishi Motors para iniciarem uma investigação após a revelação de que a empresa manipulou dados sobre o consumo de combustível de alguns de seus modelos.

O pessoal do ministério visitou o centro técnico de Okazaki, no centro do Japão, para realizar uma primeira inspeção, informou a emissora pública "NHK".

O canal de televisão japonês também reportou que o governo do país estabeleceu como prazo o dia 27 de abril para que a companhia apresente um relatório sobre a manipulação de dados, cujo verdadeiro alcance ainda é desconhecido.

O Ministério dos Transportes também pediu a outras empresas do setor relatórios sobre os métodos utilizados em testes de eficiência energética diante da possibilidade de que possam existir mais irregularidades.

Este caso contribui para piorar ainda mais a reputação do setor automotivo após o escândalo de manipulação de emissões da Volkswagen, que incluiu um software em 11 milhões de carros movidos a diesel para que reduzissem o volume de gases poluentes emitidos no momento em que passavam por testes.

A Mitsubishi Motors admitiu ontem que seus funcionários modificaram a pressão do ar nos pneus durante o testes para avaliar o consumo de quatro modelos de miniveículos - carros com motores inferiores a 660 centímetros cúbicos - dos quais foram vendidas cerca de 625 mil unidades no Japão.

Como resultado, esses veículos, dos quais cerca de 468 mil foram comercializados pela também japonesa Nissan, foram vendidos sob a falsa garantia de que seu consumo era entre 5% e 10% mais eficiente do que é na realidade.

Além disso, os testes foram realizados com padrões que não estão homologados pelo governo japonês desde 2002.

O ministro porta-voz do Japão, Yoshihide Suga, enfatizou hoje em entrevista coletiva a "gravidade" do caso pelo efeito do mesmo na "confiança dos consumidores".

Alguns analistas consideram que este episódio poderia prejudicar profundamente a empresa, a fabricante de veículos japonesa que atualmente dispõe de menor liquidez e que já foi resgatada financeiramente na última década por outras empresas do conglomerado Mitsubishi.

Além disso, o caso poderia forçar a companhia a pagar ao governo japonês os subsídios relacionados com esses modelos se for determinado que os mesmos não estão cumprindo com os padrões ambientais requeridos por causa das manipulações.

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