Topo

Cade aprova fusão de Arezzo e Soma, que cria grupo de R$ 12 bi e 20 marcas

Cade autorizou fusão de Arezzo e Soma na noite de terça-feira (26) Imagem: Rubens Cavallari/ Folhapress

Do UOL, em São Paulo

27/03/2024 12h15

O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou a fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma na noite de terça-feira (26). Com a negociação, a nova empresa vai se tornar o maior conglomerado de moda do Brasil, com faturamento combinado em R$ 12 bilhões.

O que aconteceu

A autorização foi publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (27). O Cade afirma que a Arezzo&Co atua no segmento de calçados e botas e que vestuário e acessórios é um mercado secundário. O Grupo Soma, em contrapartida, tem foco no vestuário, atuando secundariamente no mercado de calçados e acessórios.

O Cade autorizou a negociação, porque a nova empresa representaria menos de 20% de todo mercado de moda. Por isso, não há preocupações em relação à concorrência.

Como justificativa para a realização da operação, as empresas explicam que a combinação de portfólios de marcas predominantemente complementares contribuirá para a sua maior resiliência em mercados altamente competitivos. Além disso, a operação traria ganhos de sinergia na gestão de canais de venda, otimização de operações industriais e possibilidade de desenvolvimento de novas linhas de negócios.
Cade, em nota

Ainda cabe recurso. Caso não haja pedido de recurso por terceiros em 15 dias ou o Tribunal do Cade não faça pedidos de informações complementares, a fusão terá aprovação definitiva.

Fusão bilionária

Não haverá um monopólio de mercado com a fusão, que concentrará mais de 20 marcas. Roberto Kanter, economista e professor de MBAs da FGV, especializado em varejo, afirma que a operação é positiva e que o grande concorrente das lojas de departamento são os sites asiáticos, como a Shein, que entram de forma mais agressiva no mercado com preços baixos.

Hoje as marcas ligadas tanto à Arezzo como à Soma têm gestões independentes. Isso faz com que cada uma das empresas mantenha seu DNA. "As demais marcas do mercado mais pulverizado, como Osklen, Le Lis, algumas outras marcas cariocas e paulistanas de média e alta classe, não obrigatoriamente vão ser afetadas, porque o DNA do grupo [Soma e Arezzo] é as marcas serem individualizadas.", afirma Kanter.

A nova empresa representa uma parcela muito pequena do segmento de moda.

A fusão das duas marcas deve resultar em uma empresa de R$ 12 bilhões, que se estima em 5% e 6% do mercado de moda. O mercado de vestuário é extremamente pulverizado, então o resultado dessa fusão se estiver entre 5% e 6% nada mais é do que uma Renner, não vai formar um grande monopólio.
Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores

O mercado de moda tem muitos concorrentes e, por isso, a fusão não vai atrapalhar a atuação das outras marcas. Claudio Felisoni de Angelo, presidente do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo), afirma que como o mercado é pulverizado e com grande concorrência de importações da China (mesmo que com peças de menor qualidade, segundo Angelo), a competição do setor não diminui com a nova empresa.

Marcas do grupo

A Arezzo&Co fez diversas aquisições nos últimos anos. O objetivo é criar uma "house of brands", com diversas marcas. Uma das principais aquisições foi a do Grupo Reserva, que passou a se chamar AR&CO. A aquisição marcou a entrada do grupo no setor de vestuário — até então, o foco da Arezzo era nos calçados. Hoje são 12 marcas.

O Grupo Soma foi criado em 2010 após a fusão entre as marcas Farm e Animale, ambas fundadas na década de 1990. A partir de 2020, o grupo acelerou sua expansão, com diversas aquisições. Hoje são dez marcas.

Comunicar erro

Comunique à Redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Cade aprova fusão de Arezzo e Soma, que cria grupo de R$ 12 bi e 20 marcas - UOL

Obs: Link e título da página são enviados automaticamente ao UOL

Ao prosseguir você concorda com nossa Política de Privacidade


Economia