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Muita fama para Bettina. Mas o que sobra para a Empiricus?

Bettina Rudolph, que ficou famosa na propaganda da Empiricus - Divulgação
Bettina Rudolph, que ficou famosa na propaganda da Empiricus Imagem: Divulgação
César Toledo

César Toledo

Diretor-geral de Mídia da Tribal Worldwide, Cesar Toledo é formado em Publicidade pela Universidade de São Paulo (ECA) e possui 19 anos de experiência no segmento de marketing, mídia e varejo, liderou a operação da unidade de negócio focado em brand commerce na Isobar Brasil nos últimos oito anos e já trabalhou com marcas como Sky, Whirpool, Fiat, Banco do Brasil, Jeep, Samsung, Sadia, Bradesco, Coca-Cola, Citibank e Nivea.

18/03/2019 19h20Atualizada em 29/03/2019 13h54

Há quem diga que podem até falar mal, contanto que falem da gente. O caso da comunicação da Empiricus protagonizada pela Bettina e seus mais de R$ 1 milhão em economias mostra que não é bem assim que isso funciona.

A enxurrada de reações negativas à Empiricus, alimentada por um sem-número de memes (com certeza você deve ter recebido pelo menos um deles), foi resultado de uma série de erros, a começar pela estratégia de mídia utilizada.

O YouTube é o maior player de vídeo digital do mundo e sua maior qualificação, como de tudo que é digital, é a possibilidade de segmentar e entregar as mensagens mais adequadas a cada grupo de consumidor.

Para alguns, interessa uma mensagem mais técnica, com foco já no tipo de investimento que será feito. Para outros, é preciso primeiro explicar a importância de investir. E há muitos que sequer têm essa possibilidade agora, mas que podem vir a pensar nisso no futuro.

O que vimos foi uma campanha aberta para atingir o maior número de pessoas, independentemente do perfil. Como se fosse uma mensagem no "Jornal Nacional", mas dentro da internet.

O texto escolhido para Bettina também foi um grande erro. A mensagem não tem contexto, não vende produto ou serviço, mas sim um sonho, ou uma mágica, muito distante e fora de mão para os brasileiros impactados. E a campanha, pior, não mostra como foi possível multiplicar esse capital.

Eles queriam atingir o maior número de pessoas, mas o tiro saiu pela culatra --inclusive com o "vídeo-resposta", que mostra Bettina, os memes e seu "desabafo".

Claro que a publicidade lida com sonhos e desejos, mas ela tem que ter fundamentos. Nesse caso, o que se tenta é uma mensagem mágica, que não se sustenta e não oferece nenhuma garantia.

Outros players do setor financeiro, como a XP, têm oferecido uma comunicação que explica como investir --esse deveria ser o foco para o consumidor nesse caso.

Na prática, a ideia de atingir um público muito grande com uma única mensagem tornou a Bettina muito mais conhecida. Ela pode dar autógrafos e tirar selfies na rua, se assim o desejar.

Mas, para a Empiricus, não podemos afirmar se tamanho "sucesso" gerou ou não resultado, os famosos leads (cliques de pessoas interessadas nos seus serviços).

Se tiver gerado, será que ficou próximo do volume investido --ou mesmo da fortuna de Bettina?

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