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Cidades conectadas: ótima oportunidade para empresas e anunciantes

Paulo Lopes/ FuturaPress/ Estadão Conteúdo
Imagem: Paulo Lopes/ FuturaPress/ Estadão Conteúdo
Marcelo Castelo

Marcelo Castelo

Marcelo Castelo é CEO, sócio e cofundador da MUV (Mobile Unique Vision). Graduado em Administração de Empresas e pós-graduado em Marketing pela Fundação Getulio Vargas/São Paulo, Castelo criou a unidade de mobile business da F.biz, antes de fundar a MUV, primeira empresa do Grupo WPP dedicada à mobile media e à telcom marketing. Castelo reside em Miami, nos Estados Unidos, de onde comanda a operação da MUV.

11/03/2020 16h01

Há cerca de um ano, a cidade de São Paulo, a maior da América Latina, passou a oferecer gratuitamente aos seus quase 13 milhões de habitantes um acesso gratuito à internet, por meio do programa municipal 'WiFi Livre'.

No projeto, diversos pontos da capital foram contemplados com acesso gratuito ao wi-fi —desde que o cidadão faça um cadastro e assista a um filme publicitário, que pode ser pulado após 10 segundos. O anúncio aparece a cada 30 minutos para renovar a conexão do usuário.

Moradores da Zona Leste, por exemplo, que tinham 36 pontos de wi-fi, agora possuem 222. A Zona Sul, por sua vez, passou de 29 pontos de internet gratuita para 173. Atualmente, segundo o site da iniciativa, são 51 bibliotecas, 37 parques e nada menos do que 236 praças com internet grátis.

Isso pode soar como algo supérfluo para uma cidade com muitos problemas, que vão do notório tráfego caótico às injustas discrepâncias sociais. Mas não o é.

Em um país onde 25% das conexões de smartphones são feitas exclusivamente via wi-fi, segundo pesquisa da McKinsey divulgada em abril de 2019, oferecer acesso gratuito à população para que consigam usufruir de serviços online, como horário dos transportes públicos, aplicativos de mobilidade e saúde, e sites de educação, soa como mais uma necessidade de serviço público.

Moro nos Estados Unidos desde 2013 e desde então, sou surpreendido em aeroportos, shoppings, restaurantes e metrô por ações publicitárias pertinentes e inteligentes. Em troca do acesso gratuito à internet, o usuário deve assistir a um comercial ou interagir com algum anúncio, similar ao que está acontecendo em São Paulo hoje.

Aplicativos com navegação grátis

Fora o wi-fi gratuito, outra forte tendência para que haja cada vez mais a democratização ao acesso à internet são os aplicativos que oferecem navegação gratuita, como lojas virtuais e bancos. De acordo com o Panorama Mobile Time de 2019, 42% dos usuários apontam a navegação gratuita como sendo uma das funcionalidades mais importantes de um aplicativo de comércio móvel, ficando atrás somente da "compra online com retirada na loja física", com 48%.

Apesar do investimento publicitário no digital crescer a cada ano (o mesmo estudo da McKinsey mostra que em 2018 a fatia foi de 35% em comparação com os 16% de 2013 ), a penetração do e-commerce no Brasil ainda é muito baixa: apenas 6% do total de vendas de varejo são realizadas no ambiente virtual.

Aqui, nos Estados Unidos, é duas vezes maior. Na China, esse número salta para 20%. Porém, no celular, os números são mais atrativos. Em 2011, os escassos 0,3% de compras realizadas via smartphone saltaram para 32% em 2018. Entre 60% a 75% do tráfego dos varejistas vem do mobile. Isso sem contar o mobile banking, que também apresentou um salto de 12 milhões de usuários, em 2013, para 59 milhões, em 2017.

Navegação gratuita é oportunidade para marcas

Ao olhar para todos esses números, consigo enxergar uma grande oportunidade de negócio para o Brasil, principalmente no campo tecnológico. É assustador saber que em quase uma década, as maiores empresas nacionais continuam a ser as de petróleo, minério e instituições financeiras.

É um atraso socioeconômico imenso para o País. Enquanto isso, Estados Unidos e China apontam empresas de varejo online, redes sociais e de tecnologia entre seus cinco principais players. Isso demonstra que há um imenso oceano a ser explorado por nós, empresários. E a oferta gratuita de internet é um caminho para isso.

Imaginem quantos aplicativos podem ser desenvolvidos a partir das necessidades que surgirão com o aumento do uso da rede e, consequentemente, a geração de empregos e oportunidades de novos negócios.

Por essa razão, fico satisfeito em ver que, mesmo que tardiamente, ações como essa da Prefeitura de São Paulo começam a despontar no País. É uma luz de esperança que começa a reluzir na escuridão da desesperança que paira sobre o Brasil.

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