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Carla Araújo


Ministro da Defesa diz que movimento de 1964 é um marco para a democracia

Fernando Azevedo e Silva enviou mensagem para as Forças Armadas - Sergio Lima/AFP
Fernando Azevedo e Silva enviou mensagem para as Forças Armadas Imagem: Sergio Lima/AFP
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

30/03/2020 19h55

Em mensagem enviada às Forças Armadas e que será lida amanhã como Ordem do Dia Alusiva ao 31 de Março de 1964 nos quartéis do país, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, diz que o golpe militar de 1964 é um marco para a democracia brasileira.

"O Brasil reagiu com determinação às ameaças que se formavam àquela época", escreveu o ministro. "O Movimento de 1964 é um marco para a democracia brasileira. Muito mais pelo que evitou", completou.

No ano passado, o presidente Jair Bolsonaro chegou a autorizar que os militares fizessem "as comemorações devidas de 31 de março", o que gerou certo alarde me parte da sociedade. As celebrações, entretanto, ficaram limitas a caserna sem grandes repercussões civis

Em sua mensagem, Azevedo faz um apanhado histórico e diz que é preciso compreender os fatos "no contexto em que se encontram inseridos".

"O início do século XX foi marcado por duas guerras mundiais em consequência dos desequilíbrios de poder na Europa. Ao mesmo tempo, ideologias totalitárias em ambos os extremos do espectro ideológico ameaçavam as liberdades e as democracias. O nazifascismo foi vencido na Segunda Guerra Mundial com a participação do Brasil nos campos de batalha da Europa e do Atlântico. Mas, enquanto a humanidade tratava os traumas do pós-guerra, outras ameaças buscavam espaços para, novamente, impor regimes totalitários", diz Azevedo.

O ministro destacou ainda que a sociedade, os empresários e a imprensa "entenderam as ameaças daquele momento, se aliaram e reagiram". "As Forças Armadas assumiram a responsabilidade de conter aquela escalada, com todos os desgastes previsíveis", disse.

"Naquele período convulsionado, o ambiente da Guerra Fria penetrava no Brasil. Ingredientes utópicos embalavam sonhos com promessas de igualdades fáceis e liberdades mágicas, engodos que atraíam até os bem-intencionados. As instituições se moveram para sustentar a democracia, diante das pressões de grupos que lutavam pelo poder. As instabilidades e os conflitos recrudesciam e se disseminavam sem controle", destacou.

Azevedo ressaltou na mensagem que a Lei da Anistia de 1979 permitiu "um pacto de pacificação".

"O Brasil evoluiu, tornou-se mais complexo, mais diversificado e com outros desafios. As instituições foram regeneradas e fortalecidas e assim estabeleceram limites apropriados à prática da democracia", escreveu.

O ministro destacou que hoje os brasileiros vivem o pleno exercício da liberdade e podem continuar a fazer suas escolhas e que as Forças Armadas acompanharam essas mudanças.

"A Marinha, o Exército e a Aeronáutica, como instituições nacionais permanentes e regulares, continuam a cumprir sua missão constitucional e estão submetidas ao regramento democrático com o propósito de manter a paz e a estabilidade".

Carla Araújo