PUBLICIDADE
IPCA
-0,31 Abr.2020
Topo

Coluna

Carla Araújo


Não há indícios de fraude eleitoral em 2018, apontam integrantes da Abin

Presidente Jair Bolsonaro acena para apoiadores em frente ao Palácio do Planalto - Reprodução
Presidente Jair Bolsonaro acena para apoiadores em frente ao Palácio do Planalto Imagem: Reprodução
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

22/04/2020 09h42

Uma apuração da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) contraria o discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de que houve fraude nas eleições de 2018, na qual derrotou Fernando Haddad (PT), no segundo turno.

Segundo fontes militares com acesso à agência, não há indícios de que houve irregularidades no pleito.

Há 44 dias, em viagem aos Estados Unidos, o presidente disse que apresentaria em breve provas de que teria sido eleito no primeiro turno. Até agora, o chefe do Executivo não divulgou nenhum material.

"Quem acusa tem o ônus da prova", ressaltou um general que conhece intimamente a estrutura da ABIN e acompanhou o pleito que levou Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

"Uma acusação dessas é uma barbaridade", destacou outra fonte ouvida pela coluna que também se envolveu com o período eleitoral.

"Quem falou de fraude foi o presidente. E ele disse que tinha provas. Ele que apresente e ajude a melhorar o sistema eleitoral", disse mais um general.

Para outros militares de alta patente, no entanto, o presidente pode ter acesso a documentos relacionados à disputa eleitoral e seria preciso aguardar a divulgação para comprovar ou não a tese de Bolsonaro.

Dizem ainda que documentos da ABIN "têm caráter sigiloso e não são de domínio público" e que o presidente pode ter decidido não divulgá-los. Recentemente, Bolsonaro também se viu em meio a polêmicas por ter optado por não divulgar os exames em que atestou negativo para a Covid-19.

Abin paralela

O ex-ministro Gustavo Bebianno, que deixou o governo após desavenças com o chamado núcleo ideológico ligado aos filhos do presidente, chegou a afirmar que o vereador Carlos Bolsonaro teve a intenção de criar uma "Abin paralela" no começo do governo. Bebianno morreu em março deste ano, aos 56 anos, vítima de um infarto.

À CPMI da fake news, o atual comandante da Abin, general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), afirmou desconhecer qualquer "Abin paralela".

Acusações foram feitas no exterior

No dia 9 de março, quando cumpria agenda em Miami, nos Estados Unidos, o presidente afirmou que iria mostrar "brevemente" as provas de que tinha sido eleito já no primeiro turno.

"Minha campanha, eu acredito que, pelas provas que tenho em minhas mãos, que vou mostrar brevemente, eu tinha sido, eu fui eleito no primeiro turno, mas, no meu entender, teve fraude. E nós temos não apenas palavra, nós temos comprovado, brevemente eu quero mostrar", disse Bolsonaro, na ocasião.

Depois da declaração do presidente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou, em nota, que houve qualquer fraude nas eleições presidenciais realizadas em 2018.

"O TSE reafirma a absoluta confiabilidade e segurança do sistema eletrônico de votação e, sobretudo, a sua auditabilidade, a permitir a apuração de eventuais denúncias e suspeitas, sem que jamais tenha sido comprovado um caso de fraude, ao longo de mais de 20 anos de sua utilização", disse a nota do órgão.

Carla Araújo