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Carla Araújo


Eduardo Pazuello é conhecido entre militares "por fazer acontecer"

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

22/04/2020 21h57Atualizada em 15/05/2020 19h27

Formado pela Academia Militar das Agulhas Negras, em 1984, o general de divisão Eduardo Pazuello prestou serviços ao governo desde a época do presidente Michel Temer quando, em fevereiro de 2018, assumiu a coordenação da Operação Acolhida, que cuida de refugiados da Venezuela em Roraima.

Ele havia sido anunciado como secretário-executivo do Ministério da Saúde pelo ex-ministro da Saúde, Nelson Teich, que pediu demissão nesta sexta-feira (15), e, segundo o ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto, assume a Pasta pelo menos interinamente.

Companheiros do general Pazuello dizem que ele tem "zero" experiência em saúde. "Ele tem expertise em Logística Operacional", afirmou outro militar de alta patente. "Ele vai fazer acontecer na entrega dos insumos fármacos com rapidez e oportunidade", pondera esse interlocutor.

Apesar de Pazuello ter apoio e respeito dos ministros militares, começa a crescer no entorno do presidente algumas vozes dissonantes, que seria "um erro político do presidente colocar um militar na Saúde". "Sem problemas manter interinamente. Até acertar com outro. Até ai tudo bem", avaliou outra fonte.

Colegas militares destacaram o perfil "determinado" do general e elogiaram o fato de Pazuello ter se colocado como solução transitória no governo durante a pandemia de coronavírus. Quando assumiu o cargo de número dois de Teich, em entrevista ao jornal O Globo, Pazuello disse que ficaria no cargo "até tudo se acalmar".

Elogios de colegas

Na época que Pazuello chegou ao Ministério da Saúde ele foi bastante elogiado pelos pares. O atual ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, disse na ocasião que o novo secretário da Saúde tem um currículo excelente. "Ele é excepcional em áreas de logísticas é conhecido por fazer acontecer", afirmou ao UOL.

"A característica principal dele é 'resolvedor' de problemas. No Exército temos uma gíria: é um cara desmanivrado", disse um coronel que fez com Pazuello o Curso de Comando e Estado-Maior do Exército. "Se a parte de gestão e logística no Ministério da Saúde estiver enrolada, o Pazuello vai resolver", disse.

Para o presidente dos Correios, general Floriano Peixoto, além de experiente em logística e em situação de crise, Pazuello "é dotado de uma inteligência privilegiada e de uma capacidade de articulação invulgar". "Além dessas qualidades, trata-se de um oficial educado, integrador, metódico e extremante organizado, sendo, portanto, talhado para esse novo desafio", completou.

Outro general, que preferiu não se identificar, mas que foi da turma de Pazuello em 1984, disse que ele era "a pessoa certa, na hora certa". "Fez a sua carreira como um daqueles que são sempre escalados para o que chamamos de 'boca podre'. Aquelas missões que ninguém quer receber e poucos conseguem resolver", afirmou.

O então ministro Teich também já havia destacado a experiência em logística do militar como contribuição no combate à pandemia. "A impressão que tenho é que a gente tem que ser muito mais eficiente do que a gente é hoje. A gente está falando de logística, compra e distribuição. Ele é uma pessoa muito experiente nisso. É uma pessoa que vem trazendo contribuição num momento em que a gente corre contra o tempo. Não contra o tempo em relação só à covid, mas em relação a como o país vai ficar, como o sistema de saúde", disse quando recebeu o seu "vice".

Quem é Eduardo Pazuello

Natural do Rio de Janeiro, quando tenente e capitão, Pazuello participou de Operações na Selva, no Centro de Instrução de Guerra na Selva, em Manaus (AM).

Assim como o presidente Jair Bolsonaro e outros membros militares do governo, Pazuello possui o curso de paraquedista, sendo que fez graduações como mestre de salto; salto livre e avançado de salto livre.

Já como oficial superior realizou o curso de Comando e Estado-Maior no Exército, e o curso de política e estratégia aeroespaciais, na Força Aérea Brasileira (FAB).

Entre algumas funções que exerceu já como oficial general destacam-se a assessoria de Planejamento, Programação e Controle Orçamentário do Comando Logístico; o comando da Base de Apoio Logístico do Exército; e a coordenação logística das Tropas do Exército Brasileiro empregadas nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos no Rio de Janeiro, em 2016.

Em 2018, Pazuello assumiu o posto de general de divisão. Depois que deixou a Acolhida, ele assumiu o comando da 12ª Região Militar, no Amazonas.

Segundo o Exército, dentre as condecorações que Pazuello recebeu, destacam-se as medalhas de Serviço Amazônico, Mérito Aeroterrestre, Pacificador, Ordem do Mérito Militar Grande Oficial, Mérito Tamandaré, Ordem do Mérito Aeronáutico Cavaleiro e Distintivo de Comando Dourado.

Carla Araújo