PUBLICIDADE
IPCA
-0,31 Abr.2020
Topo

Coluna

Carla Araújo


Essa possibilidade não existe, diz Ramos sobre assumir comando do Exército

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

04/05/2020 08h08

Trouxe incômodo na cúpula militar a notícia que o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, estivesse trabalhando para assumir o Comando do Exército no lugar do general Edson Pujol.

"Em respeito aos valores que cultuo no Exército, o respeito, hierarquia e disciplina, essa possibilidade não existe", disse Ramos à coluna, explicando que há outros seis generais que estão à frente dele na lista.

Com desejo de arrefecer rumores de que o presidente Jair Bolsonaro esteja inflando a situação no país, o ministro - que tem sido um dos mais fiéis e mais próximos ao presidente - ainda classificou como "injustiça" tal afirmação. "São ilações infundadas, nem o presidente sequer aventou essa possibilidade", disse.

Outro general, que está na reserva, ouvido pela coluna disse que esse tipo de notícia "gera bastante preocupação". "Ele sabe que encontraria problemas. É melhor ele ficar onde está e o presidente não pensar nesta bobagem", disse.

A despeito do receio de uma escalada ditatorial do presidente Jair Bolsonaro, alguns militares que atuam no governo rechaçam qualquer possibilidade de que haja um "golpe": "A chance de fechar o Supremo é zero e a chance de golpe com o apoio militar é de zero ao cubo", afirmou um general à coluna.

Nas Forças Armadas há uma hierarquia que exige disciplina e respeito. Bolsonaro, como capitão, parece gostar de usar seu poder de presidente da República para dizer que comanda o Exército.

Mas, pelo menos até este momento, na caserna a estratégia é de tentar apaziguar os ânimos. "É até ofensivo, não vai haver quebra (de institucionalidade)", disse outro militar de alta patente.

Alguns oficiais ouvidos pela coluna ressaltam que o presidente está "apenas preocupado que o outro lado "não tente governar na 'canetada'". Recentemente, antes de demitir Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde, o presidente falou que podia dar canetadas para nomear ou exonerar "ministros estrelas".

Atualmente, Bolsonaro tenta se sobressair sobre a "canetada" de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que decidiu barrar a posse de Alexandre Ramagen para a diretoria da Polícia Federal.

"Ninguém pode ficar dando canetada, nem de um lado, nem de outro", resume um militar que tenta explicar os acontecimentos recentes do governo.

No sábado, Bolsonaro se reuniu com os comandantes da Forças Armadas, com o ministro da Defesa e ministros militares. O assunto em pauta seria a "conjuntura por conta do coronavírus".

"Tinha ainda o depoimento do Moro (ex-ministro da Justiça), mas ele (presidente) estava sereno, tranquilo, não falou que iria a manifestação. E acabou indo", disse uma fonte. "Ele vai e resolve falar. Fala sem pensar, mas garanto, não há nada planejado", diz um militar.

Sobre a fala do presidente a respeito da missão das Forças Armadas, o ministro da Casa Civil, Braga Netto - que foi para reserva para assumir o cargo no governo - disse que "as Forças Armadas estarão sempre na defesa da Constituição, do povo e da independência dos poderes".

"Ele está trucando", disse mais um general, que conhece bem os meandros deste governo. Uma aposta ou não, o presidente parece hoje brincar ou ultrapassar os poderes que têm uma autoridade.

Carla Araújo