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Carla Araújo


Eventual saída de Weintraub tem que ser bem calculada, avalia governo

Abraham Weintraub e Jair Bolsonaro sentados lado a lado - Pedro Ladeira/Folhapress
Abraham Weintraub e Jair Bolsonaro sentados lado a lado Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

27/05/2020 01h30

A decisão do ministro do Supremo Tribunal (STF) Alexandre de Moraes que determina que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, preste esclarecimentos à Polícia Federal em cinco dias sobre suas falas explicitadas na reunião de 22 de abril, fez com que o assunto da possível demissão do ministro voltasse a ser considerado na cúpula do governo.

A avaliação que vinha sendo feita até então era a de que as declarações de Weintraub no encontro do presidente Jair Bolsonaro com seus ministros, cujo conteúdo se tornou público após decisão do ministro do STF Celso de Mello, tinham repercutido bem no universo bolsonarista, nas redes sociais. Na reunião, o ministro defendeu a prisão de ministros do STF.

Depois da primeira análise sobre os impactos da fala do ministro da Educação, auxiliares diretos do presidente defendiam a sua permanência. "A situação dele está tranquila", disse uma fonte palaciana durante o final de semana.

Nesta terça-feira, porém, a decisão do STF de cobrar explicações de Weintraub e a crise gerada por conta da deflagração da Operação Placebo fez com que novas avaliações fossem feitas para mitigar o impacto negativo no governo. A operação criou novas feridas no relacionamento do presidente Jair Bolsonaro com o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel.

A princípio, auxiliares do presidente classificaram as acusações de Witzel como "ridículas", mas interlocutores admitiram que a operação tem uma suspeição natural de interferência de Bolsonaro, justamente no momento em que o presidente é alvo de inquérito por acusações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que ele queria interferir na Polícia Federal.

"Estamos vivendo um momento em que os ditos antigos amigos são os principais geradores de crises para o governo", admitiu um auxiliar.

Sair atirando?

O inquérito que Bolsonaro está tendo que responder foi originado a partir das declarações de um ex-aliado. Sergio Moro pediu demissão após a mudança no comando da Polícia Federal (PF) e, como dizem bastante em Brasília, "saiu atirando".

Witzel, que fez campanha ao lado da família Bolsonaro, ontem disse que o filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro deveria estar na cadeia e tentou reforçar as acusações de que por motivações políticas Bolsonaro estaria interferindo na Polícia Federal.

Weintraub não. Ele ainda tem uma cadeira entre os amigos do presidente. É elogiado pelos filhos do presidente e será, inclusive, recebido por Bolsonaro nesta quarta-feira, às 14h30, no Palácio do Planalto.

Sobre a chance de acontecer uma demissão nesta quarta-feira, um auxiliar minimiza e diz que qualquer mudança será feita com calma.

Além de lembrar que o governo segue uma batalha de narrativas com o STF, a lição que tem sido vivida por conta de "ex-amigos" já deixa o governo atento. "Se ele sair magoado imagina a quantidade de besteira que ele vai falar", diz um auxiliar.

Carla Araújo