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Carla Araújo


Para evitar Congresso, governo deve manter 2 parcelas de R$ 600 no auxílio

Presidente Jair Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes, em frente ao Palácio da Alvorada -
Presidente Jair Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes, em frente ao Palácio da Alvorada
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

30/06/2020 10h38Atualizada em 30/06/2020 14h26

Com a cerimônia de anúncio da extensão do auxílio emergencial marcada para hoje à tarde, o presidente Jair Bolsonaro ainda estava ouvindo auxiliares nesta manhã sobre a melhor opção de pagamento.

Segundo um ministro, para evitar que o Congresso precise aprovar novamente a medida, as parcelas terão que permanecer em R$ 600. "Se for valor diferente do que foi aprovado, tem que ir para o Congresso [de novo]", disse.

Os ministérios da Economia e da Cidadania defendiam o valor escalonado em três parcelas (de R$ 500, R$ 400 e R$ 300). Por outro lado, a ala política do governo alertou que o ideal seria evitar depender novamente do Congresso. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, defende publicamente manter o benefício em parcelas de R$ 600.

"O presidente ouviu todas as partes, a decisão foi única e exclusivamente dele. O presidente decidiu pensando no povo, na população e na pandemia", disse um auxiliar palaciano.

Guedes falou em três parcelas

De acordo com um ministro bem próximo ao presidente, o ministério da Economia poderia ainda ver se há necessidade de dividir a parcela de R$ 600. "Tem que ser os R$ 600 por mês. Como vai ser pago dentro do mês dependerá da possibilidade da economia", afirmou.

Hoje pela manhã, Guedes afirmou que o governo deve conceder mais três parcelas do auxílio emergencial, sem confirmar o valor de cada uma.

O auxílio emergencial foi criado em abril para ajudar trabalhadores sem carteira assinada, autônomos, MEIs e desempregados durante a crise gerada pela pandemia do coronavírus. O prazo para solicitação das três parcelas de R$ 600 oferecidos na primeira leva do programa acaba nesta quinta-feira (2).

Orçamento em xeque

Na semana passada, o presidente havia dito durante uma live —ao lado de Guedes— que o auxílio emergencial seria prorrogado provavelmente em mais três parcelas (de R$ 500, R$ 400 e R$ 300)

Tanto Bolsonaro como o ministro da Economia, Paulo Guedes, já afirmaram que a União não aguentaria mais duas parcelas de R$ 600. Segundo o governo, o pagamento de cada parcela de R$ 600 custa em torno de R$ 50 bilhões por mês para os cofres da União.

De acordo com o ministro que participou das negociações essas duas parcelas de R$ 600 levarão o governo ao limite do orçamento. "Isso é o máximo que podemos fazer".

Anúncio fica com o presidente

A ordem no governo foi tentar evitar o vazamento da decisão do presidente. Guedes, que falou mais cedo no Congresso, foi inclusive orientado a evitar o tema, já que a ideia é deixar "o grande anúncio para ser feito pelo presidente"

Nesta terça-feira, às 16 horas, no Palácio do Planalto, Bolsonaro fará o anúncio oficial com ares políticos, já que o auxílio emergencial tem ampliado sua popularidade com a concessão do benefício em regiões mais carentes do país.

Carla Araújo