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Carla Araújo


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Guedes toma 'advertência' de Maia, que dá aula de como falar com Congresso

O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) - Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) Imagem: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

21/08/2020 14h50

Ao convocar a imprensa ontem para dizer que trabalharia para manter do veto do presidente Jair Bolsonaro ao aumento dos servidores, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deu uma demonstração de como acontecem as coisas no Congresso Nacional. E fez questão de alertar ao ministro da Economia, Paulo Guedes, de que já passou da hora dele aprender a 'conversar' com os parlamentares.

"Não nos ajuda o ministro da Economia atacar o Senado Federal. Isso atrapalha e pode contaminar o nosso processo de votação", disse Maia, que fez questão de ressaltar o "respeito ao Senado Federal". "Não é porque o Senado fez uma votação, que eu pessoalmente tenho divergência com o resultado, que devemos atacar o Senado federal", completou.

Auxiliares de Maia dizem que a intenção do presidente da Câmara, que estava o dia trabalhando alinhado com o governo, era dar uma espécie de "advertência" ao ministro da Economia.

Lembram que os dois estão em um bom momento, com encontros frequentes e que recentemente fizeram uma espécie de "força-tarefa" para reafirmar a importância na manutenção do teto de gastos.

Não foi bem assim....

Já auxiliares de Guedes afirmam que o ministro não acusou os senadores de crime e que apenas alertou para a importância do veto, principalmente no contexto da pandemia.

"Pegar o dinheiro da saúde e permitir que se transforme em aumento de salário do funcionalismo é um crime contra o país", foi a declaração do ministro da economia após a derrota no Senado.

Além disso, afirmam que, mesmo com palavras "talvez não apropriadas", o importante é que o resultado "deu certo".

Senadores reagem

Guedes, agora satisfeito com o resultado obtido no Congresso, pode até abrandar o tom, mas ainda pode ter que dar explicações no Senado. O senador Esperidião Amin (PP-SC), alinhado com líderes da oposição e do governo prepara um requerimento de convocação para que o ministro dê explicações acerca de suas declarações.

Palavras do passado

Não é nenhuma novidade que o ministro da Economia, às vezes, extrapola nas palavras. Antes mesmo de assumir o cargo, ainda em novembro de 2018, durante o governo de transição, Guedes incomodou o Parlamento ao sugerir "uma prensa" para a aprovação da reforma da previdência.

"Na minha cabeça hoje tem previdência, previdência, previdência. Por favor classe política nos ajude a aprovar a reforma, nos ajudem a fazer isso rápido", disse, na ocasião. "O presidente tem os votos populares e o Congresso a capacidade de aprovar ou não. Prensa neles. Se perguntar para o futuro ministro, ele está dizendo 'prensa neles', pede a reforma, é bom para todo mundo".

Num passado mais recente, depois de amargar algumas derrotas e sofrer desgaste no cargo, Guedes admitiu que sua tarefa não é a das mais fáceis.

"Existe muita confiança do presidente em mim e muita confiança minha no presidente", disse, ao ser perguntado sobre sua situação no posto. "À vontade nesse cargo, eu acho difícil você encontrar alguém que vai estar sempre à vontade, é um cargo difícil".

Quem está ao lado do ministro, porém, garante que não há nenhuma intenção de deixar o governo, no momento. Sobre pensar antes de falar, sim. Guedes quer tentar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Carla Araújo