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Guedes critica Senado por reajuste a servidores: 'um crime contra o país'

"Houve um sinal muito ruim hoje", disse o ministro após derrubada do veto no Senado - Wallace Martins / Estadão Conteúdo
"Houve um sinal muito ruim hoje", disse o ministro após derrubada do veto no Senado Imagem: Wallace Martins / Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

19/08/2020 20h59

O ministro da Economia, Paulo Guedes, criticou a votação do Senado que derrubou hoje o veto do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), ao aumento salarial a servidores públicos até o fim de 2021. O veto ainda será analisado pela Câmara dos Deputados.

"Pegar o dinheiro da saúde e permitir que se transforme em aumento de salário do funcionalismo é um crime contra o país", esbravejou Guedes, em entrevista aos jornalistas em Brasília.

No primeiro semestre, diante da crise causada pelo novo coronavírus, o ministro negociou com o Congresso um pacote de socorro financeiro de R$ 120 bilhões a estados e municípios. Os valores, no entanto, deveriam ser usados para o combate à pandemia — por isso, em contrapartida, o governo federal pediu para que salários de servidores públicos não fossem reajustados até o fim do próximo ano.

O veto ao aumento foi derrubado hoje em votação dos senadores. O ministro ainda deve tentar garantir o congelamento, mas deixou claro na noite de hoje sua insatisfação com a decisão frente ao teto de gastos do governo federal.

"Estamos todos embaixo do mesmo teto. Entre nós, sabemos que estamos no mesmo teto. Sabemos também que, para que as taxas de juros fiquem baixas e para que a construção civil possa continuar crescendo, para que possamos acelerar programa de construção civil, precisamos desse controle de gastos. Nesse sentido, houve um sinal muito ruim hoje", afirmou.

"O Senado derrubou o veto do presidente. Nós colocamos muitos recursos na crise da saúde, e hoje o Senado deu um sinal muito ruim, permitindo que os recursos que foram para a crise da saúde possam se transformar em aumento de salário. Isso tem efeito sobre a taxa de juros", acrescentou o ministro, que admitiu "torcer para a Câmara conseguir segurar a situação".

Ainda segundo Guedes, o gasto extraordinário que o governo federal teve até aqui em 2020 "para preservar vidas e empregos" corre o risco de se transformar em aumento de salários. "O impacto potencial é uma perda de até R$ 120 bilhões, um desastre", disse o ministro.

Para Paulo Guedes, a votação pode ter sido influenciada por diferenças políticas, que afetariam a saúde das contas públicas.

"O Senado é a casa da República, onde os representantes têm que defender a República. No momento em que todos estamos sob o mesmo teto, dando sinal de disciplina fiscal, economia retomando o crescimento, construção civil indo bem, o Senado dá um sinal desses. Não pode um desentendimento político estar acima da saúde do Brasil, na hora em que o Brasil começa a se recuperar", encerrou.