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TST propõe acordo para fim da greve dos Correios; mas ainda há impasse

Funcionários dos Correios entram em greve - Rivaldo Gomes/Folhapress
Funcionários dos Correios entram em greve Imagem: Rivaldo Gomes/Folhapress
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

27/08/2020 19h15

O vice-presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, propôs nesta quinta-feira (27) um acordo entre os Correios e seus funcionários, que estão em greve desde o dia 17 de agosto.

A sugestão do magistrado é estender por mais um ano o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) do ano passado, mantendo os atuais benefícios dos funcionários, mas sem que seja concedido o reajuste de 5%. Além disso, ele coloca como condição para a celebração do acordo o fim da paralisação dos trabalhadores.

Na última sexta-feira, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) formaram maioria para manter liminar que previa apenas um ano de vigência do ACT. Com isso, a negociação recomeçou do zero no TST.

No dia 25, a empresa ajuizou o Dissídio Coletivo de Greve no TST e sinalizou a retomada das negociações. Hoje, houve então a primeira deliberação. O ministro pediu que as partes respondessem até às 19 horas de hoje se aceitavam ou não a proposta.

Pandemia segue em pauta

Em nota, os Correios informaram que não poderão aceitar a manutenção de mais um ano dos benefícios atuais, ainda mais em um cenário de alta dos custos por conta da pandemia do coronavírus.

"Desde o início da negociação do Acordo Coletivo de Trabalho 2020/2021, os Correios têm sido transparentes sobre a sua situação econômico-financeira, agravada pela crise mundial causada pela pandemia de Covid-19", diz a estatal.

"A empresa não tem mais como suportar as altas despesas, o que significa, dentre outras ações que já estão em andamento, discutir benefícios que foram concedidos em outros momentos e que não condizem com a realidade atual de mercado, assegurando todos os direitos dos empregados previstos na legislação", completa.

Os Correios afirmam ainda que a economia brasileira está sendo afetada como um todo e que "confia no compromisso e responsabilidade de seus empregados com a sociedade e com o país, promovendo o retorno ao trabalho das pessoas que ainda se encontram em greve, já que a questão encontra-se em juízo".

Os trabalhadores contestam a versão de queda de receita, mas sinalizaram que abririam mão da reposição salarial de 5%.

O secretário da FENTECT (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares), Emerson Marinho, afirmou à coluna que o acordo poderia ser votado nas Assembleias e que a ideia era sugerir por sua aceitação e pelo fim da greve.

Como uma das partes não se manifestou favorável a ideia de acordo do ministro do TST, o próximo passo é que haja o julgamento do dissídio na corte trabalhista.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.