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Carla Araújo


Carla Araújo

Inabilidade política e desavenças internas devem pesar na queda de Waldery

8.abr.2020 - O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues Júnior, em coletiva de imprensa sobre o saque emergencial do FGTS - Frederico Brasil/Futura Press/Estadão Conteúdo
8.abr.2020 - O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues Júnior, em coletiva de imprensa sobre o saque emergencial do FGTS Imagem: Frederico Brasil/Futura Press/Estadão Conteúdo
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

e Antonio Temóteo

16/09/2020 16h44

Fiel aliado do ministro da Economia, Paulo Guedes, o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, pode deixar o cargo por uma sucessão de desgastes políticos e por problemas internos na gestão da pasta. Os rumores sobre sua saída aumentaram ontem, após o cartão vermelho dado pelo presidente Jair Bolsonaro ao programa Renda Brasil da equipe econômica.

São cotados para substituí-lo Esteves Colnago, assessor especial de Guedes e o secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida. Entretanto, ainda não está definido se ele pedirá demissão ou será dispensado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e por Guedes.

Segundo um técnico da equipe econômica, além do desgaste criado com as afirmações de que o governo poderia acabar com os reajustes anuais do salário mínimo e das aposentadorias, outros episódios pesam contra Waldery. Colocam na conta do secretário especial de Fazenda a polêmica criada quando o governo decidiu transferir recursos do Bolsa Família para Secom (Secretaria de Comunicação) enquanto ela ainda estava subordinada ao Palácio do Planalto.

"Nos dois casos ficou claro que ele não teve sensibilidade política. No caso do Bolsa Família, o dinheiro estava parado, mas isso não foi comunicado corretamente. Por isso houve ruído. Agora, ele pecou por tratar de um tema sensível, que é reajuste do salário mínimo e de aposentadorias, apenas com explicações técnicas. Esse tema é extremamente político", disse o técnico do governo.

Após o episódio, Guedes orientou que os secretários da pasta devem evitar declarações públicas sobre propostas polêmicas ou ainda em estudo pelo governo.

Outro auxiliar de Guedes afirmou que está claro que Waldery tem um problema na gestão da equipe. Em menos de dois anos ele perdeu três secretários. Esteves Colnago e Jeferson Bittencourt deixam o posto de secretário especial adjunto. Mansueto Almeida pediu demissão do Tesouro Nacional e Caio Megale deixou uma diretoria na secretaria.

"Há uma insatisfação de varias áreas do Ministério da Economia com relação à gestão dele. Apesar de gozar da confiança do ministro, os projetos não andam", declarou.

Um outro técnico que acredita na saída de Waldery declarou que o cargo ocupado por ele cria um desgaste natural por ser o "dono do cofre e do orçamento". "Ele diz não para muita gente, que fica insatisfeita por não conseguir recursos. Mas agora há um desgaste maior por problemas de gestão e de falta de traquejo político", afirmou.

Entretanto, a saída de Waldery ainda não é consenso entre os secretários especiais do Ministério da Economia. Há na equipe quem saliente que o ele acumula desgastes, principalmente com a ala política do governo, por ser o "dono do cofre" e muitas vezes o responsável por frear ímpetos mais gastadores de integrantes do governo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Carla Araújo