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Carla Araújo


Carla Araújo

Waldery pode ser o bode expiatório de Guedes após bronca de Bolsonaro

8.abr.2020 - O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues Júnior, em coletiva no Palácio do Planalto, em Brasília (DF) - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
8.abr.2020 - O secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues Júnior, em coletiva no Palácio do Planalto, em Brasília (DF) Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

e Antonio Temóteo

15/09/2020 11h52

O secretário Especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, pode acabar sendo o bode expiatório e receber o cartão vermelho que o presidente Jair Bolsonaro ameaçou dar nesta terça-feira.

Waldery, que era aguardado na Coletiva de divulgação das projeções econômicas do Ministério da Economia que acontece nesta manhã, não compareceu e aumentou os rumores de que pode ser mais uma baixa na equipe de Paulo Guedes. Oficialmente, a pasta ainda não deu nenhuma justificativa para a ausência.

Em entrevista ao G1, o secretário afirmou que a equipe econômica defendia que benefícios previdenciários, como aposentadorias e pensões, sejam desvinculadas do salário mínimo, com isso, sem reajustes abriria espaço para a composição do programa Renda Brasil. A medida foi duramente criticada pelo presidente Jair Bolsonaro.

"Quem porventura venha propor para mim uma medida como essa só posso dar um cartão vermelho", disse o presidente em vídeo publicado hoje no qual anunciou que não se fala mais em Renda Brasil até 2022.

Fontes do governo ainda não confirmam uma punição máxima ao secretário, mas admitem que haverá uma espécie de censura para que a equipe econômica evite dar entrevista e gerar mais polêmicas.

Há pouco, na coletiva que Waldery faltou, o secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, já sinalizou discordância com a atitude do chefe de falar publicamente sobre o congelamento de aposentadorias e mudanças no seguro-desemprego.

"O que me parece que o presidente Bolsonaro coloca corretamente é que as discussões não podem ser públicas. Você não pode ficar lançando ideias publicamente. Acho que ele deixou isso claro", disse Sachsida, que é subordinado de Waldery.

Guedes pode até entregar 'cabeça' de seu secretário, mas seguirá fragilizado, já que tem sido cada vez mais frequente ver suas ideias serem desautorizadas publicamente pelo presidente.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Carla Araújo